domingo, 6 de setembro de 2015

IMPORTA QUE O EVANGELHO SEJA PREGADO

mensagem 4
CARTA AOS FILIPENSES
importa que o evangelho seja pregado

VERDADE TEOLÓGICA
Fé é fidelidade na adversidade.
Ioséias C. Teixeira


Leitura Bíblica: Filipenses 1.12-18

Elucidação Textual
No texto em estudo hoje Paulo está relatando à igreja que, ainda que pareça que não, a sua prisão em Roma redundou em bênção, promovendo a pregação do evangelho a muitos soldados e o despertamento de muitos irmãos para a obra de evangelização, ainda que alguns a estivessem fazendo por motivos errados. Porém, Paulo não se preocupa em julgar a motivação do coração de ninguém, mas se alegra com o fato de que Jesus estava sendo anunciado.

Introdução
Nesta lição vamos avaliar como o exemplo de Paulo nos ensina sobre nossas limitações em entender Deus e Suas ações. Como não temos uma compreensão exata a respeito do futuro e dos acontecimentos que fogem à nossa vontade, muitas vezes ficamos perplexos e sem entender muitas coisas. Mas a Bíblia não diz que devemos saber de todo o nosso futuro e de todos os planos divinos para nós, mas devemos confiar e obedecer a Palavra. O convite da Escritura a cada servo do Senhor é de que o justo viva pela fé (Hc 2.4; Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38).
Paulo estava preso por amor ao Senhor e ao evangelho. Se fosse hoje, em dias que muitos estão pregando um “evangelho” de facilidades e prosperidade, a análise que muitos fariam é de que alguma coisa estava errada na vida do santo apóstolo. No entanto, ao ler os textos que Paulo escreveu na prisão percebemos o seu entendimento sobre o propósito de Deus. Ele estava convicto de que a sua prisão tinha o propósito de fazer o Senhor conhecido pela guarda romana. Paulo sabia que o Senhor transforma cada dificuldade em oportunidade de fazer a Sua vontade e promover a Sua glória.
Vejamos o que Paulo tem a nos ensinar sobre andar com Deus e experimentar a Sua vontade.
             
I – ENXERGANDO DO PONTO DE VISTA DE DEUS.
“E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Fp 1.12).
No versículo acima Paulo está ensinando aqui que há outro olhar, oculto a nós. A visão humana é limitada, mas a visão de Deus é perfeita, é a visão da eternidade, para a qual não existem limites temporais. O ontem, o hoje e o amanhã são a mesma coisa a partir da perspectiva divina.
Quando passamos por lutas e provações somos tentados a questionar onde está. No entanto, fé descansa na certeza de o Altíssimo está no trono e tem o domínio absoluto de tudo (Is 61.1; Ap 4.2).
Paulo, do seu ponto de vista, planejava ir para Roma como missionário para pregar o evangelho ali (Rm 1.11), mas acabou indo como prisioneiro. O homem de Deus, sempre ativo, agora estava completamento paralisado. Ele ficava algemado a um soldado romano 24 horas por dia.
Esta circunstância tão difícil poderia levar o homem de Deus a uma situação de depressão. A prisão poderia gerar em Paulo uma paralisação total. Porém, o apóstolo não se deixou abater e não parou, porque sabia que a sua vida estava sobordinada à vontade de Deus e que o Eterno estava no controle de tudo.
Paulo permitiu que o Senhor o usasse para a expansão do evangelho onde ele estava e entendeu que Deus estava lhe dando os cerca de 9000 soldados romanos como seu atual “campo missionário”. A cada seis horas um grupo de quatro soldados se revezavam na guarda de Paulo. Isto significa dizer que o apóstolo tinha a oportunidade falar de Jesus com 16 soldados por dia. Como ele ficou preso por cerca de dois anos teve a oportunidade de falar com pelo menos 11600 homens (o que daria 2600 homens a mais do que o efetivo da guarda pretoriana).
Mesmo que não saibamos se todos os soldados a serviço do império cumpriram guarda na prisão de Paulo podemos deduzir que ele pregou, pelo menos, para a grande maioria deles, já que ele mesmo afirma que “toda a guarda pretoriana” tomou conhecimento de sua prisão por causa da fé em Jesus (Fp 1.13). Também com base na afirmação de Paulo de que os irmãos da “casa de César” (a serviço do imperador) saudavam a igreja de Filipos (Fp 4.22) entendemos que muitos daqueles soldados se converteram.
Ao enxergar através do ponto de vista de Deus percebemos que o alcance da pregação de Paulo foi muito maior do que o que ele mesmo havia projetado. Se Paulo tivesse feito o que planejava, ele seria um evangelista pregando em Roma, como Deus fez conforme o Seu plano, Paulo alcançou toda a guarda romana e sua situação ainda serviu de estímulo para que muitos outros irmãos ousassem pregar o evangelho sem nenhum embaraço (Fp 1.13).
A visão de Deus é sempre melhor que a nossa ainda que nós não a entendamos, por causa das limitações da nossa humanidade. Portanto, fortaleça a sua fé e continue confiando no Senhor!

II – PREGANDO O EVANGELHO PURO COM O CORAÇÃO PURO.
“Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho” (Fp 1:15-17).
Entendendo pela fé que a visão do Senhor para nós é a melhor, vamos nos fortalecer para enfrentar os desafios e lutas que se interpõem entre nós e os propósitos de Deus sem nos desanimar.
Como Paulo afirmou, muitos irmãos haviam se animado em anunciar o evangelho por causa da sua prisão e pregavam a Cristo com ousadia. Porém, também houveram aqueles que se levantaram para pregar motivados para alcançar propósitos egoístas, pregando por inveja ou porfia.
 Paulo e os irmãos motivados por seu exemplo tinham o propósito de anunciar o evangelho para a glória de Deus e a salvação de homens e mulheres. Já outro grupo de pessoas anunciava a Cristo com o propósito de auto promoção e de conquistar seguidores para si mesmos.
A palavra grega traduzida por “porfia” traz a ideia de “polêmica, rivalidade e competição que visa o apoio dos outros”. Ou seja, eles pregavam a Cristo com o objetivo de competir com Paulo, querendo se mostrar superiores a ele.
Note que o apóstolo não condena o conteúdo da pregação de tais pessoas, mas a motivação delas.
É possível pregar o evangelho de forma ortodoxa, correta e pura, mas com um coração partidário, que promove a divisão. Eles pregavam o conteúdo certo com o propósito errado, queriam competir com Paulo e se mostrar superiores a ele, pois invejam sua autoridade e poder. Então se aproveitaram da prisão de Paulo para, provavelmente, tentarem se impor a ele, talvez dizendo: “Se ele fosse mesmo fiel a Deus não estaria presos!”.
A lição que aprendemos com Paulo neste caso é que não devemos nos abater se alguém tenta no diminuir no ministério ou na vida com Cristo. Desde que o evangelho seja pregado, que importa? O Senhor pode usar pessoas com propósitos torpes para alcançar os Seus santos propósitos, porém essas pessoas darão contas de si mesmas e dos verdadeiros propósitos do seu coração diante do Senhor naquele dia (Mt 7.21-23). Tão importante quanto a pureza da mensagem de quem prega, canta, interpreta, etc. é a pureza do coração em fazer tais coisas.

III – BUSCANDO A GLÓRIA DO SENHOR, NÃO A NOSSA.
“Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda”. (Fp 1:18).
É interessante notar que Paulo sempre se levantou com muito ímpeto para combater aqueles grupos que se propunham a pregar um “evangelho” híbrido, misturado com falsas doutrinas. Ele chegou a alertar aos próprios filipenses que esses falsificadores do evangelho já estavam entre eles e eram inimigos da Cruz (Fp 3.2,18).
Porém, Paulo não se importa em repreender ou alertar a igreja sobre o grupo que ele cita aqui no capítulo 1. Mesmo que eles pregassem o evangelho apenas por vanglória ou competição, para ele, desde que Cristo fosse o centro da mensagem.
Para o apóstolo do Senhor não importava quem estava recebendo honra ou ganhando prestígio com a pregação. Ele não se via como um competidor (como aqueles o viam), mas como um colaborador na expansão do Reino de Deus.
O coração de Paulo era livre da vaidade da grandeza. O homem de Deus era totalmente voltado para o desejo de tornar Jesus conhecido, pois só Ele é o salvador. A humildade deste santo homem é impactante.
Os verdadeiros homens e mulheres de Deus não se importam se alguém tem mais prestígio ou honra do que eles. Sua procura não é por estas coisas. Por isso eles não atacam essas pessoas apontando-os como “caçadores” de grandeza. A preocupação dos homens e mulheres de Deus é que a mensagem pregada, independente da motivação, seja o verdadeiro evangelho. Eles têm o coração livre de disputas e interesses humanistas e deixam o juízo exclusivamente a cargo de Deus, como Paulo fez.

Conclusão: 
Diante do que estudamos hoje ficam as seguintes reflexões a serem feitas:
Mesmo que os meus propósitos não sejam alcançados e eu não entenda o porquê Deus está permitindo determinadas coisas em minha vida, eu continuo confiando no Senhor e servindo-o com fidelidade no lugar e na condição em que estou?
Eu tenho certeza que a mensagem que anuncio por meio da pregação, da música, do teatro, do evangelismo pessoal, etc. é o evangelho puro e simples?
Quais as verdadeiras motivações que estão no meu coração sempre que me proponho a realizar algo em favor do evangelho?
Deus te abençoe.