sexta-feira, 9 de maio de 2014

A comunicação conjugal



Tema: A comunicação conjugal
Texto base: II Samuel 6.1-23
Tese: o que é a comunicação e quais os maiores entraves para uma comunicação perfeita?
Introdução:
O que é a comunicação?
A palavra “comunicação” é a consequência da fusão de duas palavras: comum/ação. Portanto, comunicação é uma ação comum realizada por duas ou mais pessoas, ou, na definição do dicionário Aurélio, “tornar comum”, “por em contato ou relação”; “ligar, unir”, “estabelecer comunicação, entendimento, convívio”.
Em síntese, podemos dizer que a “comunicação é a ação comum que visa gerar relações estabelecidas pelo entendimento e convívio agradável”.
I – Os empecilhos a uma comunicação saudável.
Davi e Mical eram pessoas muito diferentes. Ela era a filha caçula de Saul (I Sm 14.49) e foi dada em casamento a Davi (I Sm 18.27).
Diferenças sociais.
Davi nasceu em uma casa simples em Belém.
Mical nasceu no palácio real
Davi era pastor de ovelhas de ovelhas
Mical era filha do rei de Israel.
Diferenças emocionais
Davi era uma pessoa expansiva e alegre.
Mical era retraída e séria (ela sofrera muitos abusos por parte do seu pai que só a deu a Davi como esposa porque intentava mal contra este (I Sm 18.20-30), e quando Saul mandou que seus homens matassem a Davi e este fugiu o rei tomou a Mical e deu-a por esposa a outro homem (I Sm 19.11 cf. I Sm 25.44).
Para que a comunicação seja estabelecida de maneira saudável é imperativo que tais diferenças sejam compreendidas e respeitadas, pois essas diferenças existirão em todos os relacionamentos que constituirmos, porém, tornam-se muito mais evidentes no casamento uma vez que passamos muito mais tempo com o cônjuge que com qualquer outra pessoa.
Essa tem sido uma das maiores motivações para divórcios nos dias de hoje.
II – A importância do ouvir corretamente.
“Meus amados irmãos tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”
Tiago 1.19
“Quem responde antes de ouvir comete insensatez e passa vergonha”.
Provérbios 18.13
Parte fundamental da comunicação, o ouvir é, talvez, a mais negligenciada. Há pessoas que escutam, mas não ouvem de verdade.
Segundo estudos realizados nós ouvimos apenas 20% do que escutamos.
Muitas esposas e esposos estão frustrados em sua vida conjugal porque não são ouvidos pelo cônjuge.
No caso em apreço, de Davi e Mical, veja que houve uma dificuldade em ouvir o outro. 
Davi chegou à sua casa muito feliz e estava decidido a abençoar a família (v. 20), porém, Mical não lhe deu nem chance de falar, ela já o interpelou com uma acusação gravíssima, chamando-o de indecente e vadio (v.20).
Davi, por sua vez, não ouviu o que a sua esposa dizia nas “entrelinhas” de suas frases: “você não pode se exibir daquele jeito para as outras! Você é só meu!”
Quem não sabe ouvir sempre nega a importância do sentimento alheio e propõe mudanças apenas para o outro. Também quando a pessoa na está bem na alma/psique ela ouve o que o outro não disse.
Ouvir implica em tentar entender os sentimentos e as razões do outro.
Ouvir é prestar atenção ao que está acontecendo.
Ouvir de fato implica em olhar nos olhos de quem está falando.
Ouvir é manter uma abertura positiva a quem está falando.
III – As características de uma comunicação mal estabelecida.
“A morte e a vida estão no poder da língua, e aquele que a ama comerá do seu fruto”.
Provérbios 18.21
“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem”.
Efésios 4.29
“O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos ímpios derrama em abundância coisas más”.
Provérbios 15.28
Falta compreensão – compreender primeiro para depois ser compreendido.
Mical não compreendeu a alegria de Davi em trazer a Arca da Aliança para Jerusalém.
Davi não compreendeu a atitude de ciúmes de Mical. Afinal, ela estava zelando pelo que era dela.
Expressão corporal agressiva – o corpo fala mais que as palavras.
Cerca de 75% da nossa comunicação é não verbal → Gestos, postura corporal, ações e tom de voz.
Veja que o texto afirma que Mical “partiu para cima” de Davi (v. 20).
Outra coisa que podemos depreender do texto, principalmente tendo como base o conteúdo das frases, é que o tom de voz de ambos não era nada agradável.→ “Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” Efésios 4.15
Conteúdo verbal agressivo – falar sem pesar devidamente as palavras.
“O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos ímpios derrama em abundância coisas más”.
Provérbios 15.28
Há pessoas que dizem: “Falo mesmo. Que se lasque. Não ‘tô’ nem aí”. Essas pessoas estão demonstrando toda a sua impiedade e até mesmo falta de amor genuíno, pois devemos tratar os outros (principalmente o cônjuge) assim como queremos ser tratados (Mt 7.12).
Veja que tanto Mical quanto Davi não foram nada amistosos um com o outro em sua discussão.
Mical o humilha chamando-o de oferecido e vadio. Davi a humilhou jogando na sua face que o Senhor o escolheu em lugar de Saul, pai de Mical, ou qualquer outro parente dela.
IV – DICAS PARA FAZER CRÍTICAS AO CÔNJUGE.
Faça-o confidencialmente: A crítica em público é humilhante e pode conduzir à difamação da pessoa. Por isso, quando for criticar, faça-o confidencialmente.
Faça-o pessoalmente: Geralmente é um erro fazer a crítica pelo telefone, pelo e-mail ou por algum outro veículo impessoal. Ao contrário, uma discussão pessoal permite que o cônjuge entenda mais claramente seus interesses legítimos.
Vá direto ao ponto: O cônjuge “sente” quando você tem algum problema com ele. Quando você o chama para conversar, mas fica dando voltas, ele percebe na hora e isso é frustrante para ele. Vá direto ao ponto.
Valorize sempre as qualidades: É essencial que o seu cônjuge saiba que você não vê somente as deficiências, mas também suas virtudes. Para comunicar isso, um bom começo pode ser: "Eu acho que nós estamos muito bem em relação a 90% do nosso relacionamento conjugal. O que nós vamos conversar nos próximos minutos, é sobre os outros 10%.”
Centralize o discurso em você e não nele: Falar na primeira pessoa é uma ferramenta que ajuda a não deixar o cônjuge na defensiva. Estruture suas críticas nos termos de como você sente. Uma afirmação como "eu não estou compreendendo bem o que você quer dizer" tende a ser menos ofensivo do que "o que você disse não tem nada a ver e não fazendo sentido."
Seja específico: Críticas abstratas, como "você está bem abaixo da média", não são críticas eficientes e nem funcionam como avaliação justa. Melhor que categorizar o desempenho ("bem abaixo da média"), seja específico sobre o que se espera e contraste isto com fatos objetivos sobre o que a pessoa realizou ou não. Isto ajudará a trazer um foco melhor sobre o problema e sobre qual medida tomar.
Atenha-se aos fatos: ater-se aos fatos significa ser objetivo e evitar julgamentos com base no “ouvi dizer isso”. Fale sobre o que você sabe e seja verdadeiro.
Não seja repetitivo: Em toda a discussão, não há nenhuma necessidade de repetir a crítica. Se possível, atenha-se a um problema por vez. E evite ressuscitar problemas antigos que já foram resolvidos previamente. Isso é desnecessário e injusto.
Através de um esforço comum, tentem achar uma solução: Após ter feito a crítica, envolva-se com a pessoa na busca da solução do problema. Uma pessoa que ajude na busca de uma solução pode ser mais comprometida a efetuá-la do que outro que tem uma solução empurrada de cima para baixo.
Adaptado do texto de Michael Zigarelli – WWW.institutojetro.com.br (06.12.2004).

CONCLUSÃO:
Como vimos no exemplo de Davi e Mical a má comunicação pode destruir um relacionamento e trazer conseqüências terríveis para o casal. Veja que após o ocorrido entre ambos Mical jamais teve filhos.
Não permitamos que o nosso casamento deixe de gerar frutos prazerosos por não nos comunicarmos com amor e cuidado.
Deus abençoe o seu casamento.

Pastor Ioséias Carvalho Teixeira