sábado, 15 de março de 2014

Administração Eclesiástica - Material para a FATEF



  1. Apresentação e Conhecendo a organização e o organismo ekklésia.
    1. A Igreja é uma organização por que:
                                         i.    Precisa de registro civil.
                                       ii.    Utiliza-se de um templo com placa que anuncia seu nome e horário de suas reuniões.
                                      iii.    Precisa de registros contábeis e prestações de contas ao fisco.
                                      iv.    Está sujeita às leis locais.
                                        v.    É considerada uma instituição de resgate e inserção social.
    1. A igreja é um organismo por que:
                                         i.    Porque foi criada por Jesus para ser um corpo (1Co 12.27).
                                       ii.    Porque como um corpo ela é viva e está em constante crescimento (Ef 4.16, Cl 2.19).
                                      iii.    Porque ela recebe vida do Espírito Santo (Ef 4.4).
                                      iv.    Porque ela não apenas resgata e insere cidadãos na sociedade humana, ela forma santos para o Reino de Deus (1Co 6.9-11).
  1. Conceito de Administração Eclesiástica, divisões da administração.
    1. Definição do termo: Administrar é um termo que se constitui da fusão de outros dois:
Ad – junto de
Ministrar – atuar como ministro, servir, servir como líder.
    1. Portanto, administrar é atuar como ministro junto de alguém, ou ainda atuar como líder que serve aos seus liderados, e por fim, administrar é atuar como líder junto de outros líderes.
    2. Um excelente modelo bíblico é o de Êxodo 18.13-27.
    3. No Novo Testamento Jesus organizou, ou pelo  menos deixou encaminhada a organização, da Igreja (Mt 16.13-20).
    4. Administração Eclesiástica é então suprir as necessidades das nossas ovelhas enquanto elas trabalham no cumprimento da missão.
    5. Segundo Myron Rush: “Quando o administrador voluntariamente de dispõe a suprir as necessidades dos que estão sob sua liderança, acaba tendo uma ótima surpresa: em retribuição, seus subordinados irão, de modo voluntário, diligente e contínuo, suprir as necessidades dele também (ver 1Reis 12.7)”[1]
  1. O pastor e o “staff”
    1. O pastor não lidera sozinho.
    2. O Staff é a equipe ministerial que trabalha com o pastor.
    3. Deus motivou Abrão[2]
                                         i.    ... Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão (Gn 15.1).
    1. Deus Motivou Moisés
                                         i.    Moisés, Moisés [...] Eu sou o Deus do teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus. [...] Certamente, eu serei contigo [...] EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. [...] Far-vos-ei subir da aflição do Egito, à terra que mana leite e mel (Ex 3.4,6,12,14,17).
    1. Deus Motivou Josué
                                         i.    Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei aos seus pais lhes daria. Tão somente esforça-te e tem mui bom ânimo, [...] Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes: porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares (Js 1.6,7 e 9).
    1. Deus Motivou Gideão
                                         i.    .... o Senhor é contigo, varão valoroso. [...] Vai, nesta tua força, e livrarás a Israel da mão dos midianitas: porventura não te enviei eu? (Jz 6.12 e 14).
    1. Deus Motivou Jeremias
                                         i.    “...Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás. Não temas diante deles; porque eu sou contigo, para te livrar, diz o Senhor. E estendeu o Senhor a sua mão, e tocou-me na boca; e disse-me o Senhor: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca” (Jr 1.7-9).
    1. Deus Motivou Ezequiel
                                         i.    E tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras; ainda que sejam sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões, não temas as suas palavras, nem te assustes com os seus rostos... (Ez 2.6).
    1. Deus Motivou Jesus de Nazaré, em sua humanidade
                                         i.     E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em quem me comprazo (Mc 1.11).
                                       ii.    E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz, que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o (Mt 17.5).
    1. Deus Motivou Paulo
                                         i.    E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal... (At 18.9,10).
    1. DEUS TAMBÉM QUER LHE MOTIVAR!
                                         i.    Anime-se: Receba a motivação divina;
                                       ii.    Anime sua família;
                                      iii.    Anime sua equipe ministerial;
    1. NOSSA MOTIVAÇÃO SERÁ FALSA E PASSAGEIRA, SE NÃO VALORIZARMOS AS PESSOAS, NOSSA COMUNHÃO COM ELAS E A COMUNHÃO DELAS COM ELAS MESMAS.
    2. Ilustração - A história dos dois líderes de alpinismo: um alpinista chefe queria bater o recorde não tinha paciência com os mais fracos e limitados, por isso, não os esperava, acabou chegando no topo sozinho, mas, tarde demais, percebeu que era constrangedor não ter ninguém para celebrar junto consigo a vitória e muito menos para testemunhar a chegada; o outro líder alpinista esperava a equipe, era paciente e animador, quando chegou no topo, não bateu recorde, mas tinha com quem comemorar a vitória.
    3. Como motivar sua equipe Ministerial.
                                         i.    Avive sua experiência de chamada, dia após dia: À medida que sua comunhão com Deus aumentar, o Senhor manterá seu coração cada vez mais animado.
                                       ii.    Certifique-se que tudo o que você faz tem como motivação maior a glorificação do nome de Deus. Caso contrário: todo seu trabalho será espiritualmente vão, pois sua recompensa será terrena.
                                      iii.    Seja um defensor e um propagador da Visão e da Missão da sua Igreja, comunicando-as diversificada e amplamente para a igreja e para sua equipe ministerial.
1.   Nossa visão é manifesta pelo slogan: “Cada salvo um ministro do Senhor”
2.   Nossa missão expressa na seguinte declaração de propósitos: “Nossa Igreja existe para formar uma consciência coletiva nos membros de que cada salvo é um ministro e foi chamado para ministrar ao Senhor, à Igreja e aos não cristãos”.
                                      iv.    Não se embebede com o poder humano e institucional que o seu cargo lhe dá. Desconfie de você mesmo (quanto à sede de poder), renda-se em humildade ao Senhor. Pierre Proudhon filosofou: “Ninguém conquista o poder; é o poder que conquista o coração do homem”. Deixe Cristo reinar em seu coração e não a sede por mais poder.
                                        v.    Conscientize-se de que Lealdade em todos os níveis gera motivação. Seja leal a Deus; seja leal a visão e a missão que Ele tem nos dado; seja leal a sua família; seja leal ao seu pastor presidente; seja leal ao seu próprio ministério; seja leal à igreja do Senhor; seja leal aos companheiros que estão no mesmo nível de liderança que você; seja leal aos companheiros que estão debaixo de sua liderança (espere lealdade deles!).
                                      vi.    Energize, encoraje e apoie a sua equipe no caminho rumo ao cumprimento da visão da Igreja.
                                     vii.    Vença a timidez. Evite a autopromoção. Mas procure comunicar sabiamente o que Deus está fazendo, usando você na congregação e o pastor no nível de campo e os demais líderes do campo.
                                   viii.    Informe tudo de relevante que acontece na Igreja: na Congregação local; no Campo Eclesiástico; no Brasil; e no Mundo. Todo ser humano gosta e precisa participar de algo grande maior do que ele convive no dia-a-dia.
                                      ix.    Convença as pessoas que aquilo que elas fazem para Deus tem uma dimensão maior do que elas costumam pensar que tem.
                                        x.    Aprenda a inspirar em vez de intimidar. Clame ao Senhor para que Ele dê ideias e capacite sua equipe. Estimule seus liderados com os seus talentos naturais, com seus dons e com sua inteligência para despertar a capacidade criativa deles. Incentive-os a ter vontade de trabalhar. Peça sabedoria a Deus para você saber entusiasmar sua equipe. Infunda textos da Palavra de Deus que gerem fé, esperança e otimismo nas pessoas. Isso gera criatividade.
                                      xi.    Agradeça as pessoas e elogie-as, de acordo com o temperamento e o tipo de personalidade delas.
                                    xii.    Entenda que você pode criar e manter uma atmosfera de cooperação em qualquer situação.
                                   xiii.    Consolide sua própria imagem como a imagem da pessoa que está na direção de Deus e que, do ponto de vista humano, está no comando imediato da congregação. Em decorrência disto, receba autoridade delegada pela congregação, por intermédio da confiança não por causa de um cargo institucional. Você precisa de muito tato, sabedoria e unção para fazer isto. Muitos líderes fracassam neste quesito.
                                   xiv.    Nunca firme sua liderança na credencial, no cargo ou na institucionalização. Estabeleça-se como líder: DA SUA PARTE com os dons com os quais Deus lhe usa, pela sua competência; DA PARTE DA CONGREGAÇÃO pela aceitação e respeito espontâneos dos irmãos por você.
                                     xv.    Aprenda usar cada vez mais sua agenda, seja organizado em tudo, e sem vaidade, capriche em sua aparência. Coloque na sua cabeça que pastor ou líder tem que ser administrador ou tem que contar comprometidamente com quem tem esta habilidade para suprir sua deficiência. Se você fracassar nesta área, seus liderados reparam e podem perder a motivação.
                                   xvi.    Seja um agente de renovação, influencie a produção de frutos e rejeite a posição de mantenedor do continuísmo improdutivo.
                                  xvii.    Puxe de dentro das pessoas o que existe de melhor nelas: Seja um instrumento de Deus para avivar os talentos, atiçar os dons dos irmãos e os pontos fortes da congregação.
                                xviii.    Discipline erros de caráter com rigor, justiça e imparcialidade. Mas não se engesse pelo medo de errar nas ações pastorais e no trabalho ministerial. Quando você errar ou sua equipe errar, assuma a culpa. Revele para equipe que quem comete erros não está queimado para sempre.
                                   xix.    Se chegar a se desanimar, fale isto para Deus ou para o pastor presidente – Nunca diante dos seus liderados. Mantenha uma atmosfera de otimismo e uma perspectiva de fé, sempre inspirando esperança na sua equipe. Está comprovado que Palavras de ânimo, que podem parecer batidas, FUNCIONAM!
                                     xx.    Aprenda a celebrar as vitórias individuais, dos ministérios segmentais, da congregação e de todo o campo eclesiástico, mesmo que pareçam pequenas para alguém.
  1. O templo funcional, terreno.
    1. Hoje há pessoas que lutam contra a institucionalização da Igreja e, consequentemente, contra a existência e o uso do templo. Contudo, o templo é funcional.
    2. A ideia de reuniões em casas, como no princípio da igreja é muito bonita, mas não é mais viável. Em nossos dias todos temos casas com pisos de cerâmica, paredes pintadas, e móveis que nos custaram muito caro. Imagine sua casa tomada por cinquenta pessoas com seus filhos pequenos correndo para todos os lados, pintando suas paredes, subindo em seus móveis, e os adultos, se sentando no braço do seu sofá, usando o seu banheiro, etc. Quem vai limpar a casa depois? Quem vai lavar o banheiro? Quem vai querer receber o povo duas ou três vezes semana na sua casa?
    3. Por essa razão o templo é muito útil. A igreja se reúne em um lugar especialmente preparado para isso; com mobília adequada e lugares para diversas pessoas. Também, com a arrecadação financeira a igreja pagará um zelador que cuidará da limpeza dos ambientes do templo.
    4. Lutar contra a existência do templo é uma questão pouco inteligente e a longo prazo essa afirmação vai se provar.
  2. A administração financeira da igreja, livros fiscais.
    1. A Igreja deve ser criteriosa quanto à administração de suas finanças.
    2. Toda entrada de dízimos e ofertas deve ser lançada criteriosamente, assim como toda saída.
    3. As compras devem ser comprovadas com NF’s e os pagamentos, como a prebenda pastoral, zeladoria, secretaria, etc. devem ser feitos mediante a assinatura de holerites (contra-cheques).
    4. A igreja também precisa fazer a declaração do IR todo ano, pois embora ela seja isenta do pagamento, não o é da declaração junto à Receita Federal.
  3. A igreja como empregadora, direitos trabalhistas, etc.
    1. À exceção do pastor, que deve pagar seu INSS como Ministro Religioso, os demais funcionários da igreja, que trabalham mais de dois dias na semana, devem ser devidamente fichados com a assinatura de sua carteira profissional e ter recolhidos seus benefícios.
  4. Estatuto, tipos de governo da igreja.
    1. Elaboração de Estatuto[3]
                                         i.    Implicações e formalidades legais do estatuto como ato constitutivo da organização religiosa
A igreja começa a ter existência como pessoa jurídica de direito privado, na modalidade organização religiosa, a partir do momento em que o seu ato constitutivo é inscrito no respectivo registro, conforme previsto no artigo 45, do Código Civil. Assim, a inscrição desse ato, que é o Estatuto, atribui personalidade jurídica à igreja, que passa ter vida própria e autônoma em relação aos seus integrantes, adquirindo a capacidade de ser titular de direitos e sujeito de obrigações.
A inexistência dessa personalidade jurídica, distinta das pessoas físicas que integram o grupo religioso, pode acarretar, dentre outras consequências, uma comunhão patrimonial entre os membros e a própria igreja. Desse modo, os compromissos financeiros assumidos pela liderança de uma igreja que não possui Estatuto inscrito em cartório, poderão recair sobre todos os seus membros, ocorrendo assim uma espécie de solidariedade de obrigações entre a igreja e os seus filiados. Em última análise, o patrimônio pessoal dos membros poderá responder pelas dívidas contraídas pela igreja.
É comum o dirigente assumir em seu nome obrigações que beneficiam a igreja. O correto é colocar em nome da organização religiosa, para que o patrimônio dela responda por eventual descumprimento da obrigação. Caso contrário, ocorrendo qualquer problema financeiro com a igreja, o patrimônio pessoal do dirigente é que responderá pela satisfação das obrigações que contraiu perante terceiros.
A par dessas considerações, analisemos os passos necessários para a existência de fato e de direito de uma organização religiosa. Normalmente, a igreja possui um grupo de pessoas que participam das atividades programadas pela liderança. Isso já é o suficiente para reconhecer que ela tem existência de fato. A partir de então, o primeiro passo é elaborar o Estatuto, que deve refletir o melhor possível a organização e o funcionamento desse grupo de fiéis. Na elaboração do ato constitutivo, a igreja tem ampla liberdade para estabelecer os objetivos, a estrutura administrativa, as regras de funcionamento e outros aspectos inerentes ao modo de ser da igreja.
Os estatutos das denominações evangélicas, de modo geral, seguem uma das seguintes tendências de administração eclesiástica, que são  as mais conhecidas. O modelo episcopal centraliza as decisões na pessoa do presidente ou dirigente da igreja. A forma congregacional, pelo contrário, descentraliza o poder de governo da igreja e atribui aos membros a incumbência de tomar as decisões em assembleia geral. Outro sistema eclesiástico é o presbiterial, uma forma representativa em que a administração é exercida por um conselho, composto pelo pastor ou pastores e pelos presbíteros que são eleitos pelos membros, para em conjunto governar a igreja. Podem ser assim resumidos: episcopal, um governa todos; congregacional, todos governam; e, presbiterial, alguns, eleitos por todos, para governar conjuntamente.
Dentre outras que podem ser encontradas, essas tendências eclesiásticas se destacam. Certamente que todo modelo tem vantagens e desvantagens. Fica a critério de cada denominação decidir como deseja ser administrada e como pretende funcionar. Essas regras e princípios devem constar do Estatuto, tanto para evitar dúvidas por parte dos membros, quanto para impedir alterações posteriores indesejadas. O estatuto consagra assim a ampla liberdade de organização e de funcionamento das organizações religiosas insculpida na Constituição Federal.
Na redação do estatuto deverão ser observados alguns aspectos jurídicos relevantes. O Código Civil, no artigo 46, estabelece quais são as informações que devem constar do registro da pessoa jurídica de direito privado. Dessa forma, o Estatuto que será levado a registro, para que atenda as exigências de lei e obtenha a validade almejada, deverá conter os dados que se seguem, referentes a igreja:
I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente;  IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso.
O estatuto deve conter também o visto de Advogado. O Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil, amparado pelo artigo 54, Inciso V, da Lei nº 8.906, de 04/07/1994, disciplina no artigo 2º, que o visto de advogado nos atos constitutivos de pessoas jurídicas é indispensável ao registro e arquivamento nos órgãos competentes. Diante disso, o profissional das ciências jurídicas deve participar efetivamente dos trabalhos de elaboração, redação final e inscrição do Estatuto. Tudo para garantir que esse ato seja revestido de todos os requisitos e formalidades legais.
Essa inscrição em cartório está prevista na Lei nº 6.015, de 31/12/1973, denominada Lei dos Registros Públicos. O artigo 114, assim dispõe: “No Registro Civil de Pessoas Jurídicas serão inscritos: I - os contratos, os atos constitutivos, o estatuto ou compromissos das sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, bem como o das fundações e das associações de utilidade pública;”. Importante relembrar que as igrejas não são mais tratadas como sociedades religiosas, mas como organizações religiosas, segundo o atual Código Civil.
Deve ser apresentada ao Cartório, juntamente com o estatuto, a ata de criação da igreja. Nela devem constar as principais deliberações referentes a criação da igreja, tais como a denominação, sede provisória ou definitiva, discussão e aprovação do estatuto, eleição e posse do presidente ou da diretoria, dentre outras decisões relevantes, que podem ser tomadas na mesma ocasião.
A partir de então, outras atas poderão ser registradas no mesmo cartório onde o Estatuto foi inscrito. Essas atas posteriores deverão conter as decisões administrativas mais importantes, tais como eleição e posse do novo presidente ou diretoria, abertura de novas congregações, consagração de obreiros, aquisição ou alienação de bens pertencentes ao patrimônio da igreja, dentre outros. Para tanto, convém manter atualizado livro ou pasta com as atas das reuniões administrativas, promovendo o registro em cartório.
Enfim, adquirida a personalidade jurídica de direito privado, a igreja poderá praticar uma série de atos e contratos necessários ao seu funcionamento. Poderá obter junto a Receita Federal a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, abrir e movimentar conta bancária, celebrar contrato de locação ou de compra e venda de imóvel, requerer isenção do IPTU, além de vários outros afetos a boa administração eclesiástica. Tudo em nome do ente jurídico intitulado organização religiosa.
Adiel Teófilo
    1. Os Modelos de Governo Eclesiástico, suas vantagens e desvantagens[4].
                                         i.    Sinteticamente podemos dizer que existem três formas de Governo Eclesiástico. Provavelmente sua igreja é governada por uma delas. São elas:
1.   Episcopal: Essa forma de governo é caracterizada por ter um "Líder Maior", geralmente chamado de Epíscopo, Papa, Bispo, Pastor Presidente e até Apóstolo, que governa todos os outros líderes e demais membros da igreja. É ele quem toma todas as decisões. Ou seja, “Um” governa a “Todos” (Igreja Episcopal, Universal, Católica, Assembléia de Deus e a maioria das igreja neopentecostais);
2.   Congregacional – A principal característica dessa forma de governo eclesiástico é a participação de toda a congregação na  tomada de decisões. Nada é decidido sem que antes tenha a aprovação da Assembléia de membros da igreja.  Ou seja, "Todos" governam (Igreja Batista, Congregacional etc.);       
3.   Presbiterial ou representativo – Nesse Regime de governo "Alguns" são eleitos para governar a "Todos" (Igreja Presbiteriana).
Nossa intenção é demonstrar, de forma prática, despretensiosa e sem a (talvez) necessária preocupação hermenêutica, os pontos positivos e negativos de cada forma de governo eclesiástico.
                                       ii.    Governo Episcopal:
1.   Pontos positivos: Esse talvez seja o modelo de governo que dê mais agilidade à igreja. Tudo só depende da aprovação de uma pessoa. Por exemplo: a reforma do prédio do departamento infantil da igreja. O Epíscopo decide fazer, quem vai fazer e o que vai ser feito. Tudo é resolvido de forma rápida e ágil. A igreja é muito beneficiada neste sentido. Os casos de disciplina eclesiástica também são rapidamente resolvidos trazendo a devida ordem à comunidade.
2.   Pontos negativos: É desnecessário dizer que a concentração de poder na mão de uma única pessoa é algo muito perigoso. Os erros desse Epíscopo podem desviar para sempre sua igreja e como não há uma autoridade superior ninguém pode impedir essa derrocada. As escolhas das prioridades, dos materiais e das pessoas a serem contratadas podem ter critérios não muito corretos, em caso de desvio de conduta pessoal do Epíscopo e não haverá ninguém para lhe dizer um basta. Nos casos de injustiças na aplicação da disciplina eclesiástica o membro da igreja ficará sempre prejudicado, não tendo a quem recorrer. Esse modelo também dá margem a perseguições de possíveis oponentes, ainda que esses estejam com a razão, bem como a beneficiamento e falta de disciplina para aliados. Todos esses problemas são decorrentes do poder absoluto que o Epíscopo ou líder tem.
                                      iii.    Governo Congregacional:
1.   Pontos positivos: Uma das principais vantagens dessa forma de governo eclesiástico é que ninguém pode reclamar por não ter sido consultado ou ainda ouvido. Todos os membros têm direito a voto e a opinar sobre os mais diversos da igreja. Usando o mesmo exemplo da a reforma do prédio do departamento infantil da igreja, todos podem opinar sobre a necessidade dessa reforma, sobre as pessoas a serem contratadas e até sobre o material a ser utilizado. Ninguém pode dizer depois que não sabia ou que não foi ouvido. Isso acaba diminuindo bastante o grau de insatisfação da comunidade.
2.   Pontos negativos: Em qualquer igreja há pessoas maduras e pessoas imaturas. Essa é uma das maiores dificuldades desse regime de governo eclesiástico. Num caso de disciplina eclesiástica, por exemplo, além do constrangimento do membro faltoso ser apresentado diante de toda a congregação, ainda corre gravíssimo risco de ter sua situação emocional e espiritual agravada por conta das perguntas e das abordagens dos possíveis desafetos e dos membros que ainda não sabem lhe dar com esse tipo de situação. É algo realmente extremamente constrangedor. A morosidade na tomada de decisão também é um fator complicador, tendo em vista que depende da quantidade de membros presentes e da votação da maioria para aprovar um projeto. Diante disso, muitas igrejas Batistas, por exemplo, estão assumindo uma prática que descaracteriza por completo o regime congregacional: estão criando uma espécie de conselho para tratar de alguns assuntos antes mesmo de ser levado à assembléia dos membros, não sendo raras as vezes quando chegam com a decisão tomada esperando apenas a aprovação de todos.
                                      iv.    Governo Presbiterial ou Representativo:
1.   Pontos positivos: Esse regime de governo eclesiástico está tanto livre dos perigos que se apresentam quando o poder está concentrado nas mãos apenas de uma pessoa quanto da participação e decisão de pessoas imaturas que ainda não estão em condições de traças os rumos da igreja. Ele pressupõe que os homens mais preparados da igreja são eleitos por todos os membros, em assembleia extraordinária, para governá-la. A igreja é autônoma e livre para escolher seus representantes, baseada nas condições pré-estabelecidas na Bíblia para a ordenação de um presbítero. O conselho da igreja, em casos de disciplina eclesiástica, via de regras, tem condições de tratar o faltoso e aplicar-lhe a pena necessária para trazê-lo de volta aos caminhos da palavra de Deus. Em caso de disciplina aplicada fora dos preceitos bíblicos ou ainda por alguma espécie de perseguição, o membro que se sentir prejudicado poderá apelar para o "tribunal eclesiástico" imediatamente superior (geralmente são três instâncias superiores de apelação). Isso diminui bastante a possibilidade das injustiças e erros.
2.   Pontos negativos: Como a congregação não participa das decisões de forma ativa, isso acaba dando margem para críticas às decisões do conselho. Outro ponto negativo é a morosidade com que os processos se desenrolam. Utilizando o mesmo exemplo da reforma do prédio do departamento infantil da igreja, uma obra que poderia ser relativamente rápida pode durar duas ou três vezes mais tempo para ser concluída. Começando pela discussão de como será feita a obra, os materiais utilizados e quem vai executá-la até a disposição da verba para a realização dos projetos. Em muitas vezes decisões como essas não saem antes de duas ou três reuniões do conselho.  A própria dificuldade de reunião dos presbíteros atrasa muitos processos necessários ao bom andamento da igreja. Os presbíteros não são obreiros exclusivos da igreja, todos têm seus trabalhos seculares, famílias e dificuldades particulares. Além disso, o pastor, que é também é um presbítero (docente) e que, geralmente, se dedica em tempo integral à igreja (pelo menos deveria), não pode tomar decisões sozinho. Basta faltar um número considerável de presbíteros (geralmente cada igreja possui de 02 a 10 presbíteros) para a reunião não acontecer. Isso gera muito atraso nos projetos da igreja, dando, muitas vezes, uma impressão de desgoverno e abandono da igreja, uma vez que somente esses presbíteros podem decidir os rumos a serem tomados e não o fazem, muitas vezes, com a agilidade necessária.
3.   Outra dificuldade prática desse sistema de governo é que nem sempre são eleitos presbíteros homens conhecedores da palavra e das doutrinas basilares ensinadas pela Igreja. Geralmente são oficiais leigos, isto é, sem formação teológica alguma. Mas esse não é o maior problema. Isso não impediria desse oficial estudar e conhecer a Bíblia e as principais sistematizações doutrinárias de sua igreja, como, aliás, muitos fazem. Outros tantos, porém, não se interessam pelo estudo doutrinário, assumindo a postura do senso comum que afirma ser "importante a Bíblia e não teologia", esquecendo que qualquer afirmação acerca da Bíblia é, necessariamente, uma interpretação teológica. Por conta disso, muitas igrejas locais acabam se descaracterizando, e, com isso, tornando-se mais parecidas com muitas igrejas neo-renovadas e neopentecostais que com uma genuína igreja Presbiteriana, propriamente dita. Além disso, essa falta de conhecimento dos presbíteros torna esses oficiais presas fáceis para pastores que parecem ter vocação para o governo episcopal e simpatia por práticas neopentecostais. Muitas desses pastores acabam manipulando os presbíteros, não raras vezes, em benefício próprio. Não é interessante, para muitos pastores, a presença no conselho de presbíteros conhecedores da Bíblia, dos símbolos de fé e da constituição da igreja. Por conta disso, o governo presbiteriano, de algumas igrejas locais, fica extremamente prejudicado, estando mais próximo a um governo episcopal, onde tudo é decidido pelo pastor, que presbiterial. Outras vezes, para fugir das possíveis críticas, alguns conselhos, por pura falta de conhecimento, acabam levando assuntos que seriam de sua exclusiva competência, para a igreja, em assembleia, se pronunciar e até votar decidindo sobre o fato, igualmente descaracterizando o sistema de governo representativo.


[1] RUSH, Myron; Administração, uma abordagem bíblica, Ed. Betânia, Pag. 13.
[2] Adaptado do texto do Pr. Robson Brito, http://admaringa.com.br/estudos/show/77
[3] http://adielteofilo.blogspot.com.br/2012/11/a-igreja-dentro-da-lei-elaboracao-de.html
[4] Fonte: http://filosofiacalvinista.blogspot.com.br/2012/01/os-modelos-de-governo-eclesiastico-suas.html