terça-feira, 12 de novembro de 2013

ELEGÂNCIA, O QUE É?




Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até à hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.    
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.       
Nas pessoas que escutam. E quando falam, não ficam a julgar sentindo-se o "dono da verdade".
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.        
É possível detectá-la em pessoas pontuais.     
Em pessoas que sabem que os mais velhos, muitas vezes, são rabujentos e mesmo assim o tratam com a deferência que merecem.  
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.       
É elegante não ficar espaçoso demais.  
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...     
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.  
É elegante retribuir carinho e solidariedade.   
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição....       
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.         
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.   
É elegante a gentileza; atitudes gentis falam mais que mil imagens...      
Abrir a porta para alguém? É muito elegante. 
Dar o lugar para alguém sentar? É muito elegante.   
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...      
Oferecer ajuda? Muito elegante.           
Olhar nos olhos ao conversar? Essencialmente elegante.    
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras". Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.  

Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.