domingo, 10 de novembro de 2013

A igreja que agrada a Deus é aquela também, que dá sinal de maturidade com relação aos seus líderes.



Texto: Hebreus 13: 7,17    

7 - Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.         
17 - Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.     

1) Introdução: O capítulo 13 da epístola aos Hebreus se divide nas seguintes partes: 
1.a. Os deveres sociais – dos versículos 1 ao 6.           
1.b. Os deveres espirituais – dos versículos 7 ao 17  
1.c. Recomendação pessoal ou recomendação quanto ao autor da epístola – dos versículos 18 ao 24.            

Gostaria de expor o primeiro e o último versículo dos deveres espirituais, que aparentemente tem o mesmo sentido.      

Primeiro, gostaria de pontuar duas posições quanto ás igrejas:     
a) Existem igrejas que são igrejas, que de fato as são, que tem seus ajuntamentos como igreja e não agradam a Deus. Ora se temos igrejas que não agradam, por certo temos igrejas que o agradam. Basta olhar para igreja de Coríntios. Paulo começa sua 1ª epístola a esta igreja reconhecendo que aquela igreja era igreja de Deus, que eram santificados por Cristo Jesus, chamados para serem santos como todos os que em todo lugar invocam o nome do nosso Senhor Jesus Cristo, mas uma evidência que o próprio texto bíblico deixa explicito é que no que tangiam as reuniões por exemplo da ceia do Senhor, Paulo não os louvavam, porque não se ajuntavam para melhor se não para pior - 1 Coríntios 11:17-19 Pois é necessário que haja divergências (NVI), ((heresias (Almeida Corrigida), facções (JFA)) entre vocês, para que sejam conhecidos quais entre vocês são aprovados).      

b) Do mesmo modo que há líderes desonestos, que não pregam o evangelho, que cultuam a si mesmo e levam o povo a cultuá-los, também há os que verdadeiramente cultuam a Deus e pregam a palavra da verdade.         

A maturidade do cristão e da igreja está diretamente ligada ao reconhecimento e obediência às ordenanças de Deus. “Façais no Senhor, pelo Senhor”. Por isso este destaque.         
Quero falar nesta noite, sobre liderança cristã. Deus quem estabeleceu líderes na igreja, desde à organização de Israel, quando Deus estabelece Moisés como líder da nação, no levantamento e nomeação de homens de cada tribo para ajuda-lo nas questões do povo, hierarquicamente organizado, e no decorrer de toda história de Israel.            
Na igreja primitiva não foi diferente:        

a) Matias é levantado apóstolo no lugar de Judas – Atos 1: 12-26;  
b) Pedro é o primeiro líder da igreja;        
c) Foram instituídos diáconos na igreja – Atos 6: 1-7 
d) Na igreja são levantados presbíteros  
e) Paulo consagra Timóteo e dá ordens a ele que levante presbíteros pelas cidades em suas igrejas. 
f) Paulo mesmo faz uma reunião com todos os líderes de Éfeso quando se despede deles, quanto sua ida para Jerusalém.             

A questão da liderança da igreja está ligada a organização, a representação, orientação e governo. 
A economia de Deus funciona assim. Esta relação não tem nada haver com privilégios, mas tem com reconhecimento, não com hierarquia, mas com funcionalidade, não com destaque, mas sim com serviço            . 
A igreja é quem é responsável pela manutenção deste ministério, pois o ministério é da igreja, mas a vocação é do líder.   
A igreja deve facilitar o trabalho do líder cooperando com ele para que isso seja de proveito a todos. 
A igreja local é uma comunidade onde todos ganham ou todos perdem. É corporativa no sentido da mutualidade, da comunhão e da relação.        
O líder, especificamente o pastor, é quem conduz o rebanho pela mão de Deus, por isso é necessário que o rebanho, seja facilmente conduzido quando orientados pela Palavra de Deus.

2) Exposição do Texto         

2.1 - Hebreus 13: 7 - Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.        

"Obedecer" constantemente tendendo à palavra pregada por eles, e obedecendo a ele, por recebê-lo com fé e amor, como parece agradável para as Escrituras, para um comportamento contrário é pernicioso para as almas, e muito se ressentia por Deus, e por estar presente, e juntando-se com eles nas ordenanças de Cristo, administrado por eles, e por sobre as suas advertências e conselhos:      
A questão principal deste versículo esta em obedecer a palavra de Deus que este pastor prega. A obediência está na palavra.        
Nós devemos sustentar os líderes com oração e observância à Palavra que eles pregam. 
Quando o versículo termina dizendo que devemos considerar o fim da sua vida e para imitarmos a fé que tiveram, ela está dizendo para imitarmos o modo como eles se apoiavam na Palavra e criam nela.             
Sabemos disso quando o pastor prega a verdade, e a verdade muitas vezes não é para que nós gostemos, pois ela não amacia a carne, antes confronta, exorta e consola.          
Precisamos pedir ao Senhor que conduza a vida dos pastores e líderes pelos seguintes motivos: 

2.1.1 - O verdadeiro pastor da Igreja prega a Cristo e desta maneira leva aos homens a Cristo; não chama a atenção sobre si mesmo, e sim sobre a pessoa de Jesus Cristo. Leslie Weatherhead narra-nos a história de um menino da escola pública que decidiu entrar no ministério. Foi-lhe perguntado quando tinha assumido essa decisão. Respondeu que por ouvir um sermão na capital da escola. Interrogaram-lhe pelo nome do pregador, mas repôs que não o lembrava; a única coisa que sabia era que esse pregador lhe tinha mostrado a 
Jesus. O dever do verdadeiro pregador é desaparecer para que Cristo apareça diante dos homens. 

2.1.2 - O verdadeiro pastor da Igreja vive em fé e por isso leva os homens a Cristo. O santo foi definido como "o homem em quem Cristo vive de novo". O dever do verdadeiro pregador não é tanto falar com os homens sobre Cristo como mostrar a Cristo em sua própria vida, obra e ser. Os homens não aceitam tanto o que o homem diz quanto o que é. Sua vida não é uma argumentação verbal, mas sim uma demonstração vivente.      

2.1.3 - O verdadeiro pastor morre se for necessário, permanecendo fiel. Mostra aos homens como viver e no final como morrer. Demonstra uma lealdade que não tem limites. Jesus tendo amado aos seus os amou até o fim. O verdadeiro condutor tendo amado a Jesus o amava até o fim. Sua lealdade jamais detém-se a metade de caminho. 

2.1.4 - Por isso o verdadeiro condutor deixa dois patrimônios aos que o seguem: Aquilo que prega e naquilo que crê. Se houver alguma coisa mais importante que qualquer outra é que a Igreja e o mundo necessitam sempre de uma condução desta classe. Está na natureza das coisas que todos os condutores terrestres surjam e passem; têm seu tempo e guiam a sua geração, logo se retiram da cena; têm sua parte no drama da vida e logo desce o pano de fundo. Pelo contrário, Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. Sua preeminência é permanente; sua liderança é eterna. E nisto reside o segredo da liderança terrena. O verdadeiro condutor é aquele que é ele próprio conduzido por Jesus Cristo.             
A maior alegria do condutor de uma comunidade cristã é ver que aqueles aos quais conduz estão firmados no caminho cristão. Como escrevia João: “Não tenho maior alegria do que esta a de ouvir que meus filhos andam na verdade.” (3 João 4).      

2.2 - Hebreus 13: 17 - Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo;. 
Este texto a primeira vista, dá autoridade ao pastor, mas quero trabalhar o sentido original do texto: 

2.2.1 – O sentido original de obedecer é: “permitam-se ser persuadidos ou convencidos”, ou seja, “Estejam abertos para a persuasão de seus líderes”.   
A igreja de Cristo é um reino, e ele é o Rei nele; pastores de igrejas são governadores subordinados; que presidem bem, quando não exclui de forma arbitrária, de acordo com suas próprias vontades, mas de acordo com as leis de Cristo. Ora se pregam o que vem de Cristo, resistir o que pregam é resistir à própria palavra de Cristo, senão o próprio Cristo. 

2.2.2 – O sentido original de submisso é sujeitar-se: a ideia não é “entregar-se”, mas “estar disposto a ceder”.            

2.2.3 - pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.           
A autoridade do líder nesta perspectiva, não é vista como sendo um direito de controle, mas como o direito de influenciar as escolhas dos irmãos e das irmãs, sobre quem o líder mantem vigilância. 

2.2.4 – “porque isto não aproveita a vós outros” – Se o trabalho do líder não for facilitado por toda a congregação, cedendo a influencia e deixando se influenciar, sabendo que o que lhe é pregado vem do próprio Deus, a congregação se torna imatura e todo o trabalho de todos não traz nenhum resultado que glorifica a Deus.           

3) Aplicação            

3.1. Não é o mundo quem dita o conceito de liderança que temos na igreja, é a Palavra de Deus; 

3.2. A credibilidade de um líder não pode ser afetada pelos testemunhos que um mau líder dá, antes a congregação deve defender a reputação do seu pastor;      

3.3. Liderança na igreja de Cristo, aquela de fato agrada a Deus, não é levantada pelo bel prazer do povo e nem para que o pastor aparece, antes é levantada para que Cristo seja glorificado e nome de Deus exaltado.       

4) Conclusão          

O sucesso de uma igreja está em ter a perfeita conexão entre pastores e ovelhas. 
A igreja que agrada a Deus tem pastores que pregam a palavra com fidelidade única e exclusivamente a ela. Não há negociação, não há dois caminhos: Cristo só exaltado quando as Escrituras são expostas com fidelidade. Não com intenção de agradar a homens, a exaltar pessoas. 
Cristo se manifesta hoje no meu da igreja, principalmente por meio da palavra revelada e pregada ao povo.   
Portanto, estejam convencidos pelo Espírito Santo, que ser obediente, sujeitos a palavra de Deus, permitindo serem persuadidos pela palavra da verdade é um dos sinais de uma igreja que agrada a Cristo, que carrega o seu nome.   
A tarefa principal de um pastor é pregar, ou seja, alimentar o rebanho pela pregação diligente da palavra – Pensamento Puritano “Eles sustentam que a posição e a autoridade suprema do pastor é pregar o evangelho solene e publicamente à congregação, interpretando a Palavra escrita de Deus, aplicando-a pela exortação e pela repreensão a eles. Eles sustentam que este foi o maior trabalho que Cristo e seus apóstolos fizeram” William Bradshaw – Sobre a pregação puritana. 
Que o Senhor nos ajude pelo seu Espírito, a compreender o mistério da obediência, e que por ela, Cristo seja exaltado e Deus glorificado por meio da sua igreja a qual, Ele mesmo se entregou por ela, para que ela fosse sem mácula e sem ruga, onde a terra pudesse ver a expressão do seu Reino. 
Que Deus nos abençoe!

Mensagem pregada pelo pastor Claudio H. Duarte em 03 de novembro de 2013 na Igreja Congregacional do Conforto.