segunda-feira, 15 de julho de 2013

Uma reforma mais profunda!




Aplaudimos entusiasticamente o clamor das ruas, obviamente, não os atos de vandalismo e violência. O Brasil se enche de orgulho e esperança e isto nada tem a ver com a conquista da Copa das Confederações.  As reformas reivindicadas contemplam, principalmente, Educação, saúde e segurança. Deste triângulo, destaco a Educação. O clamor do país é por uma reforma que se traduza em educação de qualidade. Entretanto, temo que o clamor seja apenas por uma reforma superficial. Reforma que traria mudança na infraestrutura (melhores prédios, salas mais aparelhadas, salários dignos etc.). Meu temor reside no fato de que para termos uma educação de qualidade não basta mudar o exterior, mas também, precisa-se mudar a visão, valores e hábitos arraigados pelos brasileiros. Educação de qualidade depende de professores apaixonados que amam aprender/ensinar; de alunos responsáveis que gostem de estudar/pesquisar e não só de baixar trabalhos da internet e pais mais comprometidos e participativos. Portanto, muita coisa tem que mudar: a postura do governo, dos pais, professores e alunos. Como dizia Suely Bechara, uma das melhores professoras que tive: “Educação não é um item que se encontra pronto na prateleira de supermercado, mas uma construção”!
 Pode parecer pessimismo, mas meu temor se justifica porque já vimos este filme e o final não é nada feliz! Nos dias do profeta Jeremias houve uma grande reforma. O rei Josias herdara mais de meio século de idolatraria, superstição, prostituição e violência. O templo se tornara em “covil de salteadores” (sacerdotes corruptos, prostitutas cultuais, magos profissionais). A exploração da fé ingênua era legitimada pelo poder político-econômico-religioso. O rei limpou toda aquela sujeira, restaurou o templo que era a evidência “arquitetônica da importância que Deus tinha na vida do povo” (Peterson, 2008, p. 58). Mas o profeta percebeu que a reforma contemplava apenas a estrutura exterior, era necessário aprofundar, pois “uma reforma é inútil se não resultar em mudança de vida” (Idem, p. 83). Infelizmente, aquela geração não deu ouvido ao profeta, por mais de duas décadas ele foi uma “voz que clama no deserto”. Ele sentiu na pele a preferência do povo: mudança provocada por canetada do governo e não pela vida. Espero que nossa geração seja mais sábia e não se engane com uma reforma superficial! Para isto, não basta atender o clamor das ruas, mas também, banir o jeitinho brasileiro. O Brasil chegará lá, se valorizar o profeta (educador) tanto quanto o governador! 

Pr. Israel Sifoleli - 2ª IPB de Ermelino Matarazzo-SP.