segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Compromisso, o diferencial da vida

Tenho meditado sobre nosso compromisso como Igreja Brasileira com o Reino de Deus e, sinceramente, estou preocupado. Na parábola do semeador o Senhor fala sobre a semente que caiu entre os espinhos (Mc 4.18,19) e explica que essas são as pessoas que receberam a palavra, mas os cuidados desse mundo, a fascinação das riquezas e as ambições sufocaram essa palavra, impedindo-a de frutificar (surtir efeito) em suas vidas. Realmente penso que fazemos parte de uma geração muito focada nos cuidados desse mundo (um "carrão", uma casa boa, um bom cônjuge, sucesso profissional e/ou acadêmico, etc.), na fascinação das riquezas (ganhar muito dinheiro, trabalhar dia e noite para enriquecer, constituir um bom "pé de meia", etc.) e as demais ambições (ser reconhecido pelo homens, alcançar status e reconhecimento pessoal, profissional, acadêmico ou ministerial, etc.).  Mas, graças ao bom Deus do céu ainda há muita semente (palavra de Deus) caindo em terra fértil (corações limpos). O bispo Roberto McAlister dá um testemunho extraordinário de um diácono da igreja que ele fundou e pastoreou em Hong Kong, nos idos de 1956, e que tenho certeza que acontece ainda hoje. Passo a transcrever o relato do bispo McAlister: "Meu diácono, Kwong Sung, era um homem rico - líder no comércio e muito considerado na sociedade. Tanto que, por ocasião da visita rainha da Inglaterra, ele e a esposa foram convidados ao jantar de gala em honra à soberana do Império Britânico". "Só que a visita coincidia com o nosso culto de quarta-feira, e o sr. Sung tocava o pequeno órgão de pedal para acompanhar os cânticos da congregação. Devido a esse pormenor, ele resolveu o assunto da seguinte da maneira: mandando à frente a esposa em seu Mercedes com chofer, compareceu sozinho à igreja, já que considerava esse compromisso mais sério que aquele. Após o culto, lá estava o chofer à sua espera para levá-lo à festa real, onde, pedindo desculpas pelo atraso, alegou 'compromisso de força maior'".  ( do livro: Dinheiro, um assunto altamente espiritual, Ed. Anno Domini, pg. 92). Esse testemunho me impactou. Quantos de nós não pensaríamos duas vezes em decidir por não ir ao culto, mesmo que não houvesse ninguém para nos substituir, e iríamos desfrutar do privilégio de pertencer ao seleto grupo de convivas da rainha. Esse diácono mostrou que entendia que não existe privilégio ou honra maior do que servir e adorar a Jesus. Não quero dizer com isso que devamos cancelar ou anular nossa vida social em detrimento de nossa vida religiosa, mas que nosso compromisso está diretamente vinculado àquilo que amamos. Sempre nos dedicaremos e nos comprometeremos com o que ocupar o nosso coração. E quanto maior o espaço que tal coisa ocupar maior será a prioridade que lhe daremos. Sendo assim, cabe a cada um de nós sondar o coração e responder a si mesmo qual a proporção do nosso compromisso o Reino de Deus possui, pois parafraseando o próprio Senhor, nosso coração estará naquilo que elegemos como nosso tesouro (Mt 6.21, Lc 12.34). Que Deus seja louvado por nós mediante uma vida de compromisso verdadeiro.