segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A importância do perdão


Fico muito aliviado quando sou perdoado por alguém a quem fiz ou falei algo desagradável ou ofensivo. Acredito que todos experimentamos esse alívio quando somos perdoados. 
Sempre gostamos de ser perdoados dos erros que cometemos. Mas, e quanto a dar perdão? Qual é a nossa atitude? Como agimos quando somos nós os ofendidos? Perdoamos e promovemos esse alívio na alma do próximo ou retemos a mágoa e fechamos nosso coração para o ofensor?
Ao ler o texto de Mateus 18.21-35 compreendo o porquê, do prisma de Jesus, o perdão é tão importante; tanto para nós, quanto para o outro.
Ao perguntar ao Senhor se devemos perdoar até sete vezes nosso ofensor, Pedro está querendo se mostrar generoso, pois os rabinos ensinavam que se devia perdoar alguém até três vezes. No entanto, a expressão que o Senhor usa: "Setenta vezes sete" (22) vai além de uma questão de números. É uma forma cultural judaica de dizer que o perdão deve ser dado inúmeras vezes ou, simplesmente, “sempre”. A expressão de Jesus é um grande contraste com o perdão limitado de Pedro, ainda que esse fosse melhor que a proposta do ensino rabínico de seus dias.
Para ilustrar o que estava ensinando, Jesus contou uma parábola acerca de um rei que decide cobrar aquilo que seus súditos lhe deviam, e um deles, possuía uma dívida simplesmente impagável (vv.23-25 - Dez mil talentos equivalem a trezentos e cinquenta mil quilos de prata, que pela cotação da prata hoje - 27/07/12 -, seria algo em torno de R$ 30.000.000,00). 
Esse servo se prostra, implora por clemência e recebe o perdão do seu rei. Mas quando sai encontra-se com um conservo, que lhe devia 100 denários (vv. 26-28 - O denário era o pagamento de um dia de um trabalhador comum, que hoje giraria em torno de R$ 25,00, e totalizaria uma dívida de R$ 2.500,00). Ironicamente, esse servo que recebeu tamanho perdão (sua dívida era 12.000 vezes maior que a do seu devedor) trata o seu conservo com grosseria e o agarra com violência, chegando a sufocá-lo e exigindo o recebimento da dívida (v.28). 
A exemplo do primeiro, o conservo também implorou por misericórdia e paciência, mas não foi atendido; ao contrário, foi preso até que saldasse sua dívida (vv.29,30).
E, ao contrário do seu rei, que foi discreto, chamando-o particularmente para tratar de sua dívida, ele cobrou seu irmão publicamente, humilhando-o diante dos seus companheiros, que assistiram a cena com muita tristeza e foram relatar ao rei (v.31).
Por esse motivo o rei repreendeu o homem pela sua atitude, mostrando-lhe sua crueldade, e cancelou o seu perdão, entregando-o aos torturadores até que sua dívida fosse paga; isto é, nunca (vv.32-34). 
O Mestre encerra o seu discurso com uma afirmação muito forte aos seus discípulos: "Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão" (v.35).
Assim como nossa dívida/ofensa com Deus era impagável e Ele nos perdoou em Cristo Jesus, também devemos perdoar "de coração" aqueles que nos ofendem. Caso contrário, nosso perdão será cancelado e seremos punidos pelo nosso pecado.
Quantas e quantas vezes pessoas que se dizem cristãs (perdoadas por Deus) têm exposto o seu irmão à vergonha publica, seja por meio de atos humilhantes ou palavras difamatórias, e não agem com o mesmo amor que receberam do seu Rei.
Nunca é demais lembrar que a oração que o Senhor nos ensinou (Mt 6.9-15) termina com a seguinte admoestação: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossa ofensas” (vv.14,15).
Precisamos encarnar essa Palavra e vive-la para a glória de Deus. Desta forma estaremos fazendo um bem aos outros e também a nós, pois essa é a única forma de receber o perdão do Pai celeste. Mas, a decisão é sua!

Pr. Ioséias Carvalho Teixeira.
27/07/2012