quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Eu e o Pastorado


Este breve texto é só uma catarse. A tentativa de colocar para fora um sentimento que aperta meu coração. Talvez por isso ele pareça, e até mesmo seja, sem nexo e totalmente passional e sentimentalista. Me perdoem se for esse o caso.

Tenho vivido dias desafiadores. Muita gente carente e doente espiritualmente no seio da Igreja. Nunca vivi nada parecido.
É verdade que sou um pastor iniciante, apenas com seis anos de ordenação e dois anos e nove meses de pastorado efetivo à frente de uma comunidade de fé. Contudo, já aprendi muito acerca da psiquê e espiritualidade humana; muito mais do que todos os livros que já li sobre esses temas. Realmente nada substitui a prática e a experiência.
Por vezes me pego chorando por algumas pessoas e suas condições emocionais, espirituais e/ou físicas. É muito doloroso viver essas circunstâncias e, por algumas vezes, me faz pensar se vou aguentar.
Realmente o pastorado é desafiador e muito desgastante, e é aí que vem a minha certeza: Ninguém é apto para o ministério pastoral por si mesmo. O pastorado é, com toda certeza, uma obra sobrenatural na vida daqueles que o exercem. Não fosse a capacitação divina e nenhum homem ou mulher poderia exercer esse ofício sem entrar em depressão ou abandoná-lo em pouco tempo.
Pastorear é cuidar de pessoas; lutar, através da oração, ensino e acompanhamento, pela saúde espiritual/emocional/física das pessoas que Deus nos confiou e ainda não deixar de lado a família e os afazeres diários. É também dedicar tempo de qualidade ao estudo e à oração.
Desde menino sonhei em ser pastor. Tive pastores que me influenciaram, através das suas vidas, a desejar ser como eles e fazer o que eles faziam.
Louvado seja Deus que me concedeu essa honra e me capacita a cada dia para o exercício do meu trabalho pastoral. Sei que sou incompetente e inapto para tão honroso trabalho. Mas não me dou por vencido porque também sei que não sou eu quem faz, mas Aquele que me chamou é quem opera por meu intermédio.
Adorado seja o Altíssimo que chama homens incapazes e os põe em posição de tão elevada honra. E que jamais nos esqueçamos que o mérito é do Senhor que nos chamou e nos honrou com trabalho tão árduo, porque tudo o que vale a pena tem um custo elevado, mas, no nosso caso, deve ser sempre feito com alegria porque é para o Rei do reis e Senhor dos senhores.
Sei que o pastorado é pesado e traz consigo alguns sofrimentos, mas amo meu ofício, pois é melhor sofrer e chorar por pessoas que queremos ver no céu do que sofrer e chorar pela angústia de não ter feito nada para que essas pessoas cheguem lá.
Enfim, o pastorado é para mim uma alegria A alegria de estar servindo a Deus no lugar que Ele mesmo me determinou e fazendo isso com o meu máximo (ainda que o meu máximo seja muito pouco), ainda que haja tristeza (pelo aspecto humano) de ter que lidar com pessoas que nos idealizam, esperando perfeição ou nos estigmatizam, nos tratando como ET´s, que nada têm em comum com eles. Mas no geral, a alegria do pastorado compensa os sofrimentos.
Obrigado Senhor por me fazer um ministro Teu!

Ioséias Carvalho Teixeira