sábado, 4 de agosto de 2012

"Conhecimento, a base para o crescimento"


Textos base: Os 4.6; 6.3

Introdução:
No presente estudo vamos nos ater à importância do conhecimento de Deus para o nosso crescimento cristão.
O escopo dessa reflexão é que entendamos o quanto o conhecimento está estreitamente ligado à vida cristã, sobretudo à liderança.
Veremos que a salvação é, em essência, conhecer a Deus. E, se conhecer a Deus é ter a vida eterna, quais as implicações desse conhecimento? Como podemos aferi-lo? Vamos buscar conferir essas implicações.
Por fim, vamos avaliar como podemos crescer em nosso conhecimento de Deus para, então, estarmos em condições de poder ajudar nossos irmãos a conhecê-lo e lidera-los de forma santa e com autoridade.
Que o doce e Santo Espírito de Deus nos conduza nessa ampliação dos nossos horizontes

Conhecer a Deus é a salvação.
Ao pregar aos atenienses Paulo lhes esclareceu uma questão importante: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam.” (At 17.30). Que ignorância é essa? A ignorância de Deus.
Conhecer a Deus é a vida eterna. A vida eterna começa na conversão, pois a vida eterna é conhecer a Deus, como bem explica a profecia de Zacarias sobre o seu filho, João Batista: “Para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados,” (Lc 1.77).
O profeta Oséias também afirma categoricamente em nome do Senhor que “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento. Porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” (Os 4.6).
A falta de conhecimento de Deus leva à destruição assim como o Seu conhecimento leva à salvação. Jesus ensinou que “(...) conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo 8.32), e conclui dizendo: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (Jo 8.36). Por que Ele disse isso? Simples. Porque Jesus é a verdade (Jo 14.6) e não há conhecimento fora da verdade. Todo conhecimento, necessariamente, é verdadeiro; senão, não é conhecimento.
Se a salvação é o conhecimento de Deus então temos que procurar um livro que fale de Deus e estudá-lo para conhecer esse Deus. E este livro é a Bíblia.
Portanto, é impossível alguém ser salvo e não amar o conhecimento da Escritura.
Contudo, se conhecer a Deus é ter a vida eterna, quais as implicações desse conhecimento? Como podemos aferi-lo? É sobre essas implicações do conhecimento de Deus que falaremos agora.

Conhecer a Deus tem suas implicações.
Como podemos “medir” o nosso conhecimento de Deus? Segundo Von Rad “O conhecimento de Deus significa: compromisso, confiança e obediência à vontade de Deus”.
Portanto, quando levantamos a pergunta: “o quanto eu conheço de Deus?”, não tem sentido eu conhecer a teologia teórica e retórica, mas sim o quanto eu estou compromissado com Deus (não em ativismo religioso ou saudosismo retrógado) entendendo que Jesus é a pérola de grande valor que o evangelho nos ensina. Isto é, minha vida passa ser única e exclusivamente para o meu Deus. Tudo o que faço, penso ou planejo tem como foco promover a Sua glória (1Co 10.31).
Assim como Moisés que recebeu uma proposta do Senhor de que não iria com o Seu povo, mas que enviaria o Seu anjo para guia-los, e não aceitou porque ele sabia que o mais importante era a presença do Senhor. O sábio legislador entendeu que “sem a presença de Deus a Terra prometida vira desolação e deserto, mas com a presença de Deus o deserto vira um Oásis de prazer” (Israel Sifoleli, citando Ex 33.15).
Além do compromisso também temos que ter confiança. Quantas vezes nós perdemos noites de sono, ficamos enfermos ou preocupados porque não confiamos no Senhor, mas nas nossas forças. Assim como Geazi que ao ver o exército do inimigo fica apavorado porque não pode ver o exército do Senhor por não confiar nele (2Re 6.15-17).
Desesperar na hora da angústia significa que reconhecemos que não temos condições de resolver tal situação por nossas forças e capacidades e que não confiamos em Deus para fazê-lo.
Por fim, temos a obediência. O que nos motiva a sair ou ficar em algum lugar ou posição? Muitas vezes são razões meramente humanas e não espirituais. Moisés é um homem impressionante, pois por mais que ele relutasse em voltar para o Egito, quando o Senhor o mandou ele obedeceu prontamente.
O Senhor Jesus é o maior de todos os exemplos. Se pudermos resumir o ministério de Jesus em uma frase pode ser: “obediência incondicional à vontade do Pai”.
Por fim, nos resta avaliar como podemos crescer em nosso conhecimento de Deus.

Conhecer a Deus gera crescimento.
Assim como a aliança de marido e mulher não se constitui de discurso, mas de amor. Assim também o nosso relacionamento com Deus.
O caminho para crescer no conhecimento de Deus está na vida de Jesus de Nazaré. Portanto, se queremos crescer no conhecimento, devemos crescer no relacionamento com Jesus.
Mas como crescer no relacionamento com Jesus? Efésios 1.15-19 ensina que o único jeito de a igreja conhecer Jesus é através do Espírito de sabedoria, de revelação e de pleno conhecimento.
Todo conhecimento verdadeiro de Deus é mediado e comunicado pelo Espírito Santo. Porque uma coisa é conhecer a Deus, outra é conhecer os assuntos relacionados a Ele.
O conhecimento de Deus não pode ser obtido por meios acadêmicos, assim como não se faz uma faculdade para se conhecer o futuro cônjuge. Não por acaso Israel e a Igreja são chamadas respectivamente de esposa e/ou noiva (Jr 3.8; 31.32; Ef 5.31,32; Ap 19.7).
No entanto, assim como um cônjuge que ama o outro procura ler bons livros, participar de encontros, seminários, cultos, etc. para conhecer as características físicas e psicológicas do sexo oposto e para aprender princípios saudáveis para o sucesso do matrimônio, também a tarefa de um líder autêntico é a de estudar com afinco para obter uma maior compreensão das coisas de Deus e, com isso, estar ao menos um passo à frente dos seus liderados no que concerne ao conhecimento de Deus (empírico) e dos assuntos relacionados a Ele (teórico).
Para conhecer os assuntos relacionados a Deus é preciso ter um coração instruído para somente então ter uma “língua erudita” (Is 50.4) e influenciar as pessoas pela liderança. Isso é feito seguindo seis passos que caracterizam o verdadeiro estudioso como ensina o livro “O Pastor como Mestre e o Mestre como Pastor”[1]:
1.      Observar (ler com atenção) o assunto de estudo de forma apurada e completa.
2.      Entender com clareza o que observou (leu).
3.      Avaliar corretamente o que entendeu, por decidir o que é verdadeiro e valioso.
4.      Sentir intensamente em harmonia com o valor do que avaliou.
5.      Aplicar com sabedoria e proveito à vida o que ele entendeu e sentiu.
6.      Expressar, no discurso, na escrita e nos atos, o que viu, entendeu, sentiu e aplicou, de uma maneira que sua exatidão, clareza, verdade, valor e proveito sejam conhecidos e desfrutados por outros.
O conhecimento acadêmico não tem valor nenhum se não houver conhecimento de Deus. Contudo, o verdadeiro conhecimento de Deus nos leva ao desejo de crescer academicamente, pois, afinal o nosso Senhor ama tanto o conhecimento acadêmico e literário que nos deu exatamente um livro como herança, a Bíblia, para que pudéssemos lê-la, estuda-la e pautar nossa vida nela.
O conhecimento acadêmico pode nos levar a Deus, mas o conhecimento de Deus certamente nos levará ao conhecimento acadêmico.

Conclusão.
A vida cristã é uma vida de conhecimento. Ser cristão é ser salvo através do conhecimento de Deus revelado no sacrifício amoroso de Jesus no Calvário e edificado por uma vida de íntima comunhão com Ele.
Esse conhecimento relacional acaba por gerar em nós um compromisso cada vez maior, que nos estimula a uma confiança inabalável e uma obediência inquestionável.
Por esse compromisso confiante e obediente somos levados a uma dedicação profunda ao estudo da Escritura e de tudo o que se refere à pessoa de nosso Deus. Assim como cônjuges dedicados e amorosos procuram participar de encontro de casais, ler livros e ouvir mensagens sobre o tema, igualmente o cristão que conhece a Deus quer ler a Escritura e livros que a comentem, participar de eventos que possam fazer conhecer melhor a vontade do Senhor e cultos onde a mensagem pode fazê-los aproximar-se mais do Altíssimo.
Ser cristão e não amar o conhecimento é uma incongruência, uma impossibilidade. O verdadeiro cristão tem sede de conhecimento e não se contenta com o que já sabe de Deus. Quer sempre mais, pois o Senhor é insondável.
Por isso, conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor!

Fontes Bibliográficas:
Piper, John & Carson, A. D. (2011). O Pastor como Mestre e O Mestre como Pastor. São José dos Campos: Fiel.
Washer, P. (2011). 10 acusações contra a Igreja. São José dos Campos: Fiel.


[1] Piper, John e Carson, A. D.; O Pastor Como Mestre e o Mestre Como Pastor”, Ed. Fiel.