domingo, 22 de julho de 2012

Estudos em Romanos - Capítulo 16


A EPÍSTOLA DE PAULO AOS ROMANOS
CAPÍTULO 16 – Fechando com chave de ouro

TEXTO CHAVE: “Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.”.
Romanos 16.27

VERDADE TEOLÓGICA: “A amizade, a comunhão e a unidade são a essência da vida coletiva da Igreja”.
Ioséias C. Teixeira

ESTUDOS DE PREPARAÇÃO SEMANAL
Segunda-feira: Rm 16.1-16.
Saudações aos amigos.
Terça-feira: At 18.1-4
Amigos verdadeiros são inesquecíveis.
Quarta-feira: Rm 16.17-20
Uma advertência final.
Quinta-feira: 1Pe 1.10-12
Os profetas anunciaram a salvação que nós desfrutamos.
Sexta-feira: Rm 16.21-27
Doxologia conclusiva.
Sábado: Ef 3.4-6
O mistério oculto, a saber que os gentios são co-herdeiros da mesma promessa.

LEITURA BÍBLICA CONGREGACIONAL
Romanos 16.24-27
24-A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém.
25-Ora, aquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto,
26-Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé;
27-Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.

ELUCIDAÇAO TEXTUAL
Paulo termina a sua epístola frisando aquilo que era o compromisso mais importante da sua vida: o evangelho e a sua pregação, como os meios de Deus para salvar e confirmar os seus mediante a obediência pela fé no mistério que estava oculto desde a eternidade, mas agora é revelado para promover a glória ao único e eterno Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.

INTRODUÇÃO
.Este capítulo trata da despedida dos amigos e do último apelo de Paulo para a Igreja de Roma em favor da comunhão e unidade entre os irmãos. Ao final o apóstolo exalta a Deus por meio de uma doxologia maravilhosa de louvor e exaltação da sabedoria de Deus.
A mensagem de Paulo aos Romanos declara que a Igreja de proclamar que Deus é quem dá a salvação, a dádiva da justiça, concedida a todos os que recebem pela fé. A Igreja não deve incentivar uma fé separada da fidelidade. A segurança não pode estar fundamentada na decisão humana, mas na obra de expiação e justificação de Jesus.

I-SAUDAÇÕES AOS AMIGOS (vv.1-16).
Apesar de que Paulo nunca tenha estado em Roma, ele tinha grandes amigos por lá. Este capítulo de encerramento da sua carta aos Romanos é muito pessoal, contudo é uma passagem muito instrutiva a todos nós.
Ele começa recomendando a Febe a Igreja, pois ela provavelmente era desconhecida dos irmãos de Roma, visto que servia a Igreja em Cencréia, uma cidade portuária, vizinha de Corinto e distante de Roma cerca de 500km por mar (vv.1,2).
A maioria dos teólogos acredita que a própria Febe seria a portadora desta carta e por isto a sua recomendação feita por Paulo, pois era comum enviar correspondências através de amigos em viagem.
A partir do versículo 3 até o v. 16, Paulo se ocupa de cumprimentar diversos amigos que estavam morando em Roma
A primeira saudação de Paulo é para o precioso casal, Priscila e Áquila, que o hospedou em Corinto. (vv.3-5a; cf. At 18.3). “Quando Paulo os encontrou pela primeira vez tinham vindo recentemente de Roma, havendo sido expulsos daquela cidade pelo decreto do imperador Cláudio, o qual ordenou que todos os judeus deixassem Roma (At 18.2).” (William Hendriksen)
Ambos eram fabricantes de tendas assim como Paulo, e além de serem seus parceiros na proclamação do evangelho, arriscaram suas vidas em favor dele. Embora não se saiba em que circunstâncias, pois não há outro registro a respeito. Mas, especula-se que tenha sido durante o tumulto em Éfeso citado em Atos 19.23-41.
Este casal estava sempre à disposição do Senhor, abrindo agora em Roma sua casa para os crentes se reunirem (1Co 16.19).
Na sequência (vv.5b-12), Paulo cumprimenta mais quatorze irmãos. Além de Epêneto, por quem Paulo tinha uma afeição especial por ter sido o primeiro fruto do evangelho na província romana na Ásia; muito pouco se sabe a respeito dos outros irmãos citados neste trecho. Ele também cita os seus parentes, Andrônico e Junias, que estavam em Cristo (se converteram) antes dele. Conforme especula o pastor Ary Veloso: “Teriam os parentes de Paulo, logo depois da conversão, dito um para o outro: ‘Precisamos orar pelo nosso parente, o rabino Saulo de Tarso. Deus pegando o coração dele, muita coisa pode acontecer no Reino’”?
No versículo 13 encontramos algo interessante, segundo Geoffrey B. Wilson. “Como Marcos provavelmente escreveu seu evangelho em Roma, é quase certo que este Rufo fosse o filho de Simão Cinereu, que carregou a cruz por Jesus (Mc 15.21). Paulo também saúda sua mãe com um toque de ternura que recorda com gratidão alguma ocasião em que ela desempenhara o papel de mãe para ele.”
Já os irmãos citados nos versículos 14 e 15, seus nomes sugerem que fossem escravos, embora não se saiba nada deles.
Paulo então admoesta: “Saúdem uns aos outros com beijo santo.” (v.16a). E aqui está um ótimo exemplo prático de “algo diferente” em sua prática, como aprendemos no capítulo 15. Era comum no Oriente expressar afeição e confiança por meio do “ósculo da paz”. O que Paulo está dizendo aqui é que devemos manifestar amor cristão uns pelos outros, de acordo com nossos costumes e não necessariamente por um beijo.
Não devemos concluir que porque um costume existiu na igreja primitiva e teve o apoio apostólico, este deve ser seguido até os dias de hoje! Como observa Hodge... “Estes costumes muitas vezes nasciam de circunstâncias locais ou hábitos anteriores, ou eram apenas modos convencionais de se expressar certos sentimentos, e nunca se pretendeu que fossem universalmente obrigatórios”.
Como também afirma Geoffrey B Wilson: “Este é apenas um exemplo; há muitas outras coisas ligadas à maneira de se conduzir o culto, com a administração do batismo e da Ceia do Senhor, comuns nas igrejas apostólicas, que deixaram de ser praticadas”.
“O cristianismo é um princípio vivo, e nunca se pretendeu que fosse confinado a formas fixas.”
Em suas viagens Paulo conheceu muitas igrejas; e é natural que ele gostasse de transmitir saudações de umas para as outras, pois ele sempre pregou a unidade de todos os crentes em Cristo (v.16b).

II-UMA ADVERTÊNCIA FINAL (vv.17-20)
Nos versículos 17 e 18 Paulo faz referência aos “falsos cristãos”. Pessoas que causam divisões na igreja, jogando as pessoas umas contra as outras e criam obstáculos ao ensino doutrinário que recebem. E o pior, tais pessoas fazem isso por meio de palavras sutis, bajulação e enganam os ingênuos.
É triste, mas esse problema é tão comum hoje como era no passado. Essas pessoas podem ser encontradas em qualquer igreja, independente de época ou lugar. Eles distorcem “coisas essenciais” e propagam doutrinas contrárias à Palavra de Deus, baseadas nas suas ideias pessoais, causando divisões e desviando outros irmãos.
Paulo nos orienta a evitá-los, não lhes dar atenção, muito menos entregar-lhes nossos corações ou ouvidos!
Nos versos 19 e 20, segundo William Hendriksen, Paulo está nos dizendo: “Vivam de tal maneira que sejam qualificados para a tarefa de escolher o que é bom aos olhos de Deus e sejam inocentes ou ingênuos acerca do que é mal. Sejam sábios com o propósito de fazer e promover o que é certo, e não deixar-se “confundir” com algo que, à vista de Deus é mal.
Ajam da seguinte maneira: tenham cuidado, evitem, obedeçam, sejam sábios e sejam inocentes. Em outros termos: assumam sua responsabilidade!”.
Quanto a Satanás, Deus cumprirá a promessa de Gênesis 3:15; e os santos participarão desta vitória! (Ap 19.13,14).
Paulo agora transmite as saudações de seus cooperadores (vv.21-24), Timóteo, Lúcio, Jasom e Sosípatro; estes três parentes de Paulo. Também Tércio, o amanuense de Paulo, que escreveu a carta para o apóstolo, envia sua saudação e de Gaio, Erasto e Quarto.
Estes são os amigos de Paulo que estão em ele em Corinto. Note que naquela época era comum que o autor de uma carta tivesse um secretário, que ao final assinava e às vezes acrescentava algumas palavras.

III-DOXOLOGIA CONCLUSIVA (vv.25-27)
A palavra doxologia é a fusão de duas palavras gregas (δόξα [doxa] "glória" + λογία [logia], "palavra") e que significa literalmente uma “palavra de glória”, e na verdade é uma forma de litúrgica de louvor a Deus.
A carta termina com uma maravilhosa dedicação do apóstolo ao único Deus. E é muito provável que ele tenha escrito este trecho de próprio punho, como era seu costume (confira em Gálatas 6:11).
O versículo 25a parece uma repetição no verso 1.11. Paulo aqui se refere ao fortalecimento espiritual, o que pode ser traduzido também por confirmação e não ao recebimento de algum dom carismático, tal como falar em línguas.
Deus age poderosamente em nossas vidas nos fortalecendo através da Sua Palavra. Se você quiser experimentar o poder sobrenatural Dele em sua vida, estude a Bíblia! Quantos crentes ficam de lá para cá, de igreja em igreja, correndo atrás de uma “benção especial” (que não existe) a fim de “revolucionar” sua vida espiritual!
Os versículos 25b-26 se referem a um mistério que estava oculto desde os tempos eternos e que se revelou pela Escritura. Geoffrey B. Wilson nos explica que “Antes da vinda de Cristo, sua mensagem havida sido confinada a Israel, mas o cumprimento da esperança do Velho Testamento em Cristo tornou suas palavras significativas para o mundo todo (1Pe 1.10-12); e esta grande mudança aconteceu de acordo com o mandamento do Deus eterno objetivando o Seu propósito eterno, ou seja, que o evangelho fosse proclamado a todas as nações para trazê-las à obediência da fé (Rm 1.5).”
Denney acrescenta: “Aquele que projetou este grande plano de salvação é “o único Deus sábio”, e é em virtude de ter este caráter de Ele é capaz de confirmar – fortalecer espiritualmente - os romanos segundo o evangelho de Paulo” (Ef 3.4-6).
Vivemos a revelação deste grande mistério ainda hoje: quando compartilhamos, testemunhamos Jesus Cristo através da nossa vida, somos fortalecidos no Senhor! (Veloso)
Ao único Deus, através da mediação de Jesus Cristo, que toda a glória deve ser dada para sempre (v.27). Amém.

CONCLUSÃO
Paulo termina a sua epístola com muitas saudações pessoais. Cita o nome de 26 líderes da Igreja, que eram também seus amigos particulares (vv.1-16).
Paulo apelou à Igreja para que evitasse divisões e desunião (vv.17-20). Transmitiu saudações dos seus companheiros (vv.21-23) e terminou com uma doxologia apropriada: “Ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém” (vv.25-27).