sexta-feira, 6 de julho de 2012

Estudos em Romanos - Capítulo 12


A EPÍSTOLA DE PAULO AOS ROMANOS
CAPÍTULO 12 – CRISTIANISMO PRÁTICO

TEXTO CHAVE: “ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”.
Romanos 12.1

VERDADE TEOLÓGICA: “O cristianismo verdadeiramente bíblico é muito difícil, mas se não fosse assim não seria o evangelho, pois o que realmente vale a pena custa caro”.
Ioséias C. Teixeira

ESTUDOS DE PREPARAÇÃO SEMANAL
Segunda-feira: Rm 12.1-8
A vida cristã verdadeira.
Terça-feira: 1Co 12.1-11
Os dons espirituais para o bem da Igreja.
Quarta-feira: Rm 12.9-13
Amor: a essência da vida cristã.
Quinta-feira: Mt 5.43-48
O amor incondicional é a marca do filho de Deus.
Sexta-feira: Rm 12.14-21
Vida abençoadora.
Sábado: Pv 25.21,22
O bem constrange o perverso.

LEITURA BÍBLICA CONGREGACIONAL
Romanos 12.1,2
1-ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
2-E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus..

ELUCIDAÇAO TEXTUAL
A justiça de Deus aceita pelo crente é uma experiência interior que deve ter expressão exterior. A conclusiva “pois” do verso 1 marca a transição, das doutrinas da justificação, santificação e eleição para o Cristianismo aplicado. A vida cristã é radicalmente consagrada a Deus, vivida não em conformidade com o mundo, mas em “transformação” no sentido de Deus (v.2).
      
INTRODUÇÃO
O apóstolo encerrou as partes doutrinárias da epístola, que se ocuparam de princípios e problemas. Mostrou como ajustar relações com Deus e como manter essas relações. Defendeu esta livre justiça de Deus contra todas as objeções. Agora procura explicar a vida da fé na prática e inculcar a seus leitores o dever da vida cristã.
Nesta lição, e nas seguintes, discutiremos as implicações da graça sobre a vida prática do cristão e o seu reflexo na sociedade.
Que o Espírito Santo nos abençoe e nos ajude a absorver o ensino da Escritura e coloca-lo em prática no nosso dia-a-dia.

I-A VIDA CRISTÃ VERDADEIRA (vv.1-8).
Diante da boa notícia anunciada nos capítulos anteriores, Paulo convoca os crentes à consagração da vida completa para Deus.
Geoffrey Wilson explica que “Paulo sabe que se seus leitores tiverem realmente compreendido sua exposição das doutrinas da graça, esta compreensão será claramente demonstrada por um andar santo. A doutrina cristã nunca é ensinada para prover uma espécie de iluminação do intelecto, mas para promover obediência prática.”. Ou, como disse F. F. Bruce: “Pois, se a teologia é graça, então a ética é gratidão!”.
Essa mudança só é possível mediante a renovação da nossa mente (v.2a). Nossa mente é programável e estudando a Bíblia conseguimos entender o que agrada a Deus e o que o desagrada. E uma das melhores maneiras de se fazer isso é ler um livro da Bíblia durante muito tempo, sem pressa e atentamente, pois somente assim seremos capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Dentro dessa vontade de Deus entenderemos que todo dom, inclusive do apostolado, é dádiva da graça divina, e, portanto exclui todo orgulho.
“Muitas pessoas acham que a vida cristã consiste em nunca pensar em si mesmo. Isso é errado! É verdade que alguns cristãos abusam disto, ao ponto de que tudo que pensam é a respeito deles mesmos, porém Paulo nos instrui a examinarmos a nós mesmos para vermos se estamos na fé ou não (2Co 13:5); porém, nos reforça que temos que fazer isto de uma maneira que evite a autopromoção!”
“Todos nós somos criaturas caídas e temos dentro de nós a natureza de Adão, consequentemente, a primeira coisa a lembrar sobre si mesmo é que há algo dentro de você que não se pode confiar completamente: pensamentos e atitudes distorcidos e errados, e eles estarão sempre lá! Consequentemente, em primeiro lugar examine-se com moderação e sensatez!” (Veloso).
Como nossos sentimentos estão em constante mudança, não é seguro julgar-se baseado neles, mas em como Deus nos vê, mediante a Escritura.
Porém, como a vida cristã é comunitária, Paulo nos fala sobre a natureza da igreja e ensina sobre a unidade na diversidade (vv.4,5). A Igreja, como o corpo humano, é uma em todo o mundo, todos os cristãos lhe pertencem, e não faz nenhuma diferença qual o nome que ela tenha em sua placa. Assim a igreja de Cristo tem muitos membros diferentes em função, mas iguais em valor.
A igreja funciona com base nos diversos dons que Deus lhe deu (vs.6b-8, cf. 1Co 12, 1Pe 4 e Ef 4) para que ela possa “expressar, celebrar, demonstrar e comunicar Cristo de um modo que edifique e fortaleça a fé em outros cristãos e faça a igreja crescer” (Veloso). Os crentes devem servir uns aos outros com os seus dons (vv.3-8).
Você tem servido aos outros?

II-AMOR: A ESSÊNCIA DA VIDA CRISTÃ (vv. 9-13).
O caráter essencial da Igreja deve ser de um lugar onde o amor seja vivenciado de modo que impacte as pessoas de fora (v.9, cf. 1Tm 1.5; 1Pe 4.8).
Este amor deve ser genuíno e não hipócrita. Tornar o amor uma farsa é uma violação de tudo que o Senhor veio fazer, pois o amor verdadeiro vem do Espírito Santo (Rm 5.5).
Continuando o raciocínio Paulo nos ensina que devemos odiar o que é mal nas pessoas, mas não rejeita-las por causa da maldade (v.9). Devemos detestar e repudiar o pecado, porém aceitar o que é bom: o pecador!
Esse amor se manifesta pelo interesse e cuidado de uns para com os outros e de um tratamento caloroso de aceitação e perdão; que considera o outro mais do que a si mesmo e está disposto a deixar que os outros tenham o crédito (v.10). “Ficar contente apenas com o que foi feito, e não se preocupar em ser honrado por isto. (...) nossa carne não gosta nada disto! Estamos sempre muito ansiosos para ser reconhecidos e honrados, mas a palavra diz que o amor real não agirá dessa maneira!” (Veloso)
Nossa vida cristã não pode ser marcada por hesitação, medo de realizar a vontade de Deus ou preguiça (v.11). Uma das marcas de um cristão que anda no Espírito é que ele mantém o fervor, vivendo em Cristo com entusiasmo e vigor!
Por isto Paulo frisa que devemos servir ao Senhor. Para que não apaguemos da nossa mente que a consciência que estamos servindo ao Senhor, como escravo em Seu serviço, recebendo ordens apenas dEle e obedecendo-as sem questionamento.
Iremos nos alegrar na esperança se formos pacientes na tribulação, e seremos pacientes na tribulação se perseverarmos na oração! Portanto, quando a tribulação vir, a primeira coisa a fazer é começar a orar (v.12).
A pobreza e a perseguição tornavam a hospitalidade e o socorro aos carentes algo extremamente importante naqueles dias e também hoje é importante que entendamos nossa responsabilidade de nos importar com as necessidades dos outros (v.13). E para que possamos praticar essa hospitalidade precisamos rejeitar o pecado, mas não deixar de amar as pessoas, tratar nossos irmãos calorosamente, com aceitação e perdão, considerar o outro mais do que a si mesmo, manter o fervor apesar das lutas e aflições e perseverante na oração e responder às necessidades em maneiras diretas e pessoais.
“Enfim, o amor cristão é sempre modelado em uma experiência do amor sacrificial de Deus, um amor que não olha em momento algum para o merecimento ou não de quem o recebe”  (Veloso).  

III-VIDA ÉTICA: SUBPRODUTO DO AMOR (vv.14-21).
Da mesma maneira como manifestamos amor uns pelos outros na igreja, também devemos manifestar esse amor durante a semana com as pessoas com quem interagimos. E Paulo dá uma orientação prática de como podemos fazer isso: abençoando aqueles que nos perseguem e não amaldiçoando (vv.14-21).
Cabe muito bem aqui um comentário do pastor Ary Veloso sobre esse texto: “O amor verdadeiro fala bem de seus perseguidores; e como é difícil, não é? Isso significa que você não vai ficar por aí falando mal das pessoas que não te tratam bem, não será áspero com elas - nem ao falar delas - mas falará bem! Você deve encontrar algo nelas que possa aprovar, elogiar (com sinceridade), e então é isto que deve dizer às outras pessoas. Como é difícil, hein!” (Estudos em Romanos, 2011).
Realmente essa não é a reação natural de ninguém. Quando agredidos física, verbal ou moralmente, tendemos a “pagar com a mesma moeda”. Quando a carne ainda “fala alto” em nós, tendemos a amaldiçoar aqueles que nos ferem.
Também devemos aprender a nos alegrar com os que se alegram; chorar com os que choram (v.15), pois como disse Lenski: “Assim como a alegria compartilhada é dobrada, assim também a tristeza compartilhada é reduzida à metade”.
Paulo primeiro recomenda que nos alegremos porque às vezes isso é muito mais difícil - especialmente quando desperta em nós a inveja ou auto piedade. Quando alguém consegue algo que esperávamos conseguir pode ser dificílimo dizer a essa pessoa, com sinceridade: “parabéns, estou feliz por você!”. Em contrapartida, quando alguém do nosso convívio está triste, não podemos ser indiferentes e simplesmente dizer-lhe: “O que você tem de errado? Por que está sempre deprimido? Porque você não é alegre como eu?”. O verdadeiro amor se coloca no lugar da outra pessoa!
Paulo ensina que devemos ter o mesmo sentimento (v.16). Literalmente essa frase se traduz: “pensai nas mesmas coisas” (cf. 2Co 13.11; Fp 2.2; 4.2), isto é, nunca devemos modificar nossa atitude cristã para com os nossos companheiros; irmãos ou não. Também devemos nos acautelar de ambições egoístas, não aspirando coisas altivas, mas buscar os deveres humildes; precavendo-nos da presunção (cf. Pv 3.7).
Outra recomendação importante é não tornar mal por mal (v.17; cf. Mt 5.43,44; 1Co 13.5-6; 1Ts 5.15; 1Pe 3.9) e procurar as coisas honestas perante todos os homens; ou seja, procurar viver acima de qualquer censura à vista das pessoas (cf. Pv 3.4; 2Co 4.2; 8.21) A admoestação seguinte é estar em paz com todos, subordinando-se à restrição quanto depender de vós (v.18).
Na última exortação Paulo trata do tema da vingança (v.19). Sua afirmação pode significar que devemos deixar com Deus o exercício da ira (Dt 32.35), ou que devemos deixar que a lei da semeadura, inerente ao universo moral, retribua o ofensor, ou devemos dar lugar à nossa cólera ou à de nosso inimigo, até que ela se arrefeça. Porém, a primeira alternativa é a melhor interpretação. Nossa atitude, conforme a regra do amor deve ser misericordiosa, e não de represálias. Desta forma: “Amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça” (20); isto é, fará que o ofensor tenha um sentimento ardente de vergonha, conforme Pv 25.21,22. Assim faremos o bem triunfar sobre o mal (v.21).

CONCLUSÃO
A consagração do crente a Deus e a vida transformada são frutos da entrega total ao Senhor e da mudança de mente que resulta em uma vida de amor e exercício dos diversos dons espirituais para o serviço de uns aos outros.
Essa consagração resulta em uma vida ética, amorosa e perdoadora, que acaba por constranger o agressor, como, ao que tudo indica, aconteceu com Zaqueu por ocasião do seu encontro com Jesus (Lc 19.1-8).
Que o Senhor nos encha do Seu Espírito Santo para que possamos viver essa realidade da espiritualidade cristã em sua plenitude.

glossário
Altivas – elevadas, arrogantes.
Arrefeça – esfrie.