terça-feira, 10 de julho de 2012

Estudos em Romanos - Capítulo 13


A EPÍSTOLA DE PAULO AOS ROMANOS
CAPÍTULO 13 – O CRISTÃO E A ÉTICA CIVIL

TEXTO CHAVE: “Portanto dai a cada um que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.”.
Romanos 13.7

VERDADE TEOLÓGICA: “Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne”.
Gálatas 5.16 (NVI)

ESTUDOS DE PREPARAÇÃO SEMANAL
Segunda-feira: Rm 13.1-7
Toda autoridade é constituída por Deus.
Terça-feira: At 25.7-11
Os justos não estão isentos de autoridades injustas.
Quarta-feira: Rm 13. 8-10
O amor ao próximo é a essência da vida cristã.
Quinta-feira: Mc 12.29-31
Amar a Deus e ao próximo: a base de toda a Lei.
Sexta-feira: Rm 13.11-14
Estejamos atentos, pois o fim está próximo.
Sábado: Ef 6.11-18
A armadura da Luz é para os que receberam o Sol da Justiça.

LEITURA BÍBLICA CONGREGACIONAL
Romanos 13.1-7
1-TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.
2-Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.
3-Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela.
4-Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal.
5-Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo mas também pela consciência.
6-Por esta razão também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo.
7-Portanto dai a cada um que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.

ELUCIDAÇAO TEXTUAL
Nesta segunda seção de admoestações, Paulo sai de assuntos puramente pessoais para o âmbito da moral política, e declara os deveres do cristão em face do Estado, assunto este relevantíssimo para os seus leitores romanos. O ponto de vista do apóstolo acerca do Estado, em relação com o crente, encerra o princípio da submissão cristã, que sempre tem sido reconhecida como da vontade divina, obrigatória à Igreja. As bases desta obediência aos poderes seculares podem ser expressas em três tópicos (Edições Vida Nova, 2012).

INTRODUÇÃO
O que você pensa a respeito da nossa presidente ou do presidente dos EUA estarem a serviço de Deus? E Adolph Hitler ou Saddam Hussein? Por mais absurdo que nos pareça, gostemos ou não, de alguma forma em algum sentido, estas pessoas serviram aos propósitos de Deus! Basta pensar que quando Paulo escreveu esse texto os governantes eram homens extremamente cruéis e inimigos do cristianismo.
John Stott tem uma palavra de sabedoria sobre este texto quando diz: “Mas é melhor sermos cautelosos ao interpretar as declarações de Paulo. Não se pode pensar que ele está dizendo que todos os Calígulas, Herodes, Neros e Domicios  da época do Novo Testamento, assim como os Hitlers, Stalins, Amins e Saddams dos nossos dias foram pessoalmente designados por Deus, que Ele é responsável pelo seu comportamento ou que em nenhuma circunstância se pode resistir à autoridade deles.” (Veloso).
Também é preciso avaliar qual tem sido o nível de tratamento que oferecemos ao nosso próximo. Estamos verdadeiramente cumprindo a Palavra do Senhor? E a observação da Escritura? Como anda em nossa vida?
Vejamos o que Paulo nos ensina sobre essas questões tão fundamentais.

I-A SUBMISSÃO ÀS AUTORIDADES: PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DO REINO (vv.1-7).
Está claro no primeiro versículo que este capítulo discorre sobre o dever do cristão - e do não cristão - de ter uma conduta de obediência às autoridades. Não somente aos presidentes e chefes de Estado, todos os níveis de autoridade, todas as formas de poder existentes, o que devemos nos lembrar é que todos eles são colocados lá pelo próprio Deus!
“A Bíblia reflete várias formas de governo e não especifica nenhuma como sendo a vontade de Deus. A melhor aos olhos dEle é a estabelecida por Ele mesmo, para aquele lugar e tempo particulares na história, considerando as características das pessoas, o grau de verdade e de luz disseminado entre elas, e as circunstâncias morais que estão prevalecendo. Para essa circunstância, tempo e lugar, Deus estabelece um governo em particular”. (Ray Stedman)
Esta verdade não é vista somente no Novo Testamento, veja também Daniel 2.21.
É óbvio que se Deus institui as autoridades, aqueles que se opõem a elas estão se opondo diretamente a Ele, que certamente punirá esta desobediência! (v.2).
Os governos têm poder sobre o que fazemos com nossas propriedades e como nos comportamos uns com os outros, mas não têm o direito de intervir em nossa adoração ou proibir a obediência à Escritura, pois estes são os limites dos poderes governamentais. Como cristãos podemos resistir à opressão e perseguição religiosas, porém não devemos resistir às funções legítimas do governo. Como disse Geoffrey B. Wilson: “Assim, quando as exigências do Estado entrarem em conflito com a Lei de Deus, a resistência a elas se torna um dever do cristão” (Veloso).
É evidente que a afirmação de que os governantes recompensam quem pratica o bem e castigam os que praticam o mal não é constantemente verdadeira, e Paulo sabia disso muito bem, pois teve que apelar para César por saber que Festo queria agradar os judeus e não o julgaria com justiça (At 25.7-11). Contudo, John Stott explica este texto dizendo que “ao pintar este lindo quadro das autoridades como quem ‘enaltece o bem’ e ‘pune quem pratica o mal’, ele está afirmando o ideal divino e não a realidade humana.”.
Geoffrey B Wilson disse muito bem que: “O Estado é ordenado por Deus para suprir as exigências da situação criada pelo pecado”.
Nos versículos 5-7 Paulo afirma que não devemos obedecer às leis apenas porque tememos ser presos ou punidos de alguma forma, assim como não devemos pagar nossos impostos apenas porque sabemos que corremos o risco de cair na “malha fina”. Porque quando a pessoa pensa assim ela não titubeará em transgredir quando supuser que não há possibilidade de ser pega em seu delito. Por isso a razão para obedecermos às leis é porque isso é correto diante de Deus e nada foge aos seus olhos e devemos ter a consciência limpa diante dEle.
Paulo está ensinando que os cristãos devem dar às suas autoridades o que lhes é de direito, inclusive a reverência e a honra que é devida ao ofício deles.
Mas como o Estado temporal não é o Reino eterno, o dever de obediência às autoridades seculares é provisório para o atual período de “noite” (v.12); naquele “dia” que está “chegando” uma nova ordem de governo será introduzida, quando “os santos hão de julgar o mundo” (1Co 6.2). O Estado secular desaparecerá, mas a cidade de Deus permanecerá para sempre. (Veloso).

II-O AMOR AO PRÓXIMO: A MOTIVAÇÃO EXCELENTE (vv.8-10)
Após falar da obediência às autoridades constituídas, Paulo transmite uma ordem da parte de Deus: não dever nada a ninguém, exceto o amor (v.8). Contudo, se conhecemos o Senhor Jesus, então temos o poder amar! E essa aptidão de ser amoroso mesmo com quem não é conosco não vem de nós, mas de Deus (2Co 3.5).
O amor do cristão ao seu próximo é apenas o reflexo visível de seu amor para com Deus. É a sua obediência constante ao segundo grande mandamento que demonstra a prova mais convincente de seu comprometimento total com o primeiro! (Mc 12.30,31).
William Hendriksen diz que “Entre todas as dívidas que uma pessoa venha a contrair, há uma que jamais poderá ser reembolsada plenamente: a dívida do amor”.
Precisamos agir com amor, demonstrar cortesia, bondade, paciência, compreensão, independente das circunstâncias! Paulo diz muito claramente que esta é uma dívida nossa para com todas as pessoas! (Veloso)
Para corroborar seu argumento, Paulo cita quatro dos dez mandamentos, que tratam dos relacionamentos interpessoais (Ex 20.13-15,17) e afirma que tudo isso se resume em “Amarás o teu próximo com a ti mesmo”. Este mandamento (Lv 19.18) engloba todos os mandamentos referentes às relações humanas (Mt 22.39). Se de fato amamos aqueles com quem nos relacionamos, então faremos tudo o que for bom para eles (v.10).
Ao tratarmos as pessoas com o mesmo cuidado que temos por nós mesmos, jamais transgrediremos em qualquer dos mandamentos que se referem à nossa relação com o próximo (Mt 7.12; Tg 2.8). (MacArthur, 2011).
Não existe cristianismo sem amor pois “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4.8); ao passo que o mesmo joão afirma um verso antes: “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” (NVI).
Em síntese, nossa conduta amorosa, ou não, vai confirmar se, de fato, conhecemos a Deus. Se auto avalie e responda para si mesmo: você conhece a Deus?

III-A RAZÃO DE OBSERVAR A VONTADE DE DEUS: O FIM ESTÁ PRÓXIMO (vv.11-14).
Paulo apresenta aos seus leitores (inclusive nós) um poderoso estímulo (vv.11,12a). Ele afirma que os cristãos devem seguir o que foi ensinado nos versos anteriores e se despertarem do sono, que é uma analogia à apatia espiritual e indiferença com as coisas de Deus. (MacArthur, 2011). É preciso “acordar” para pagar aos outros a nossa dívida de amor para com eles (v.8).
O fato de conhecermos o tempo em que vivemos, ou seja, os últimos dias, é um estimulante a mais para vivermos em conformidade com a Escritura (Hb 10.24).
Seremos glorificados quando Jesus voltar, e isso está mais perto a cada dia, pois cada dia a mais é um dia a menos. Por isso, devemos nos santificar continuamente porque esse dia se aproxima e nós não sabemos quando será.
Aqueles sobre os quais o Sol da justiça raiou, devem abandonar os antigos desejos pertinentes à sua ignorância e vestir a armadura da luz (Ef 6.11-18 e 1Ts. 5.8), porque é incompatível o viver cristão em amor com as chamadas “obras das trevas” ao mesmo tempo (Gl 5.19-21, Cl 3.5-11).
O que se espera de um cristão autêntico é que ele viva de modo diferente do mundo e dignifique o nome do Senhor (v.13a). Devemos viver uma vida que agrade a Deus, manifestando uma no nosso comportamento exterior a realidade interior de uma vida redimida (Lc 1.6; Gl 5.16,25; Ef 2.10; 4.1,17; Fp 1.27; Cl 1.10; 2.6, etc.). Precisamos evitar as propostas do mundo, tais como devassidões, que se caracterizam por festas desregradas, orgias sexuais, brigas, perversão, imoralidades, contendas e ciúmes.
Para “medir” nossa vida espiritual três perguntas podem ser úteis:           Que efeito minha vida exerce sobre as pessoas? Eu trago harmonia ou espalha discórdia aonde chego? Divisão e fofoca começam imediatamente quando eu chego a um grupo?
Para evitar esse risco o apóstolo recomenda “revistam-se do Senhor Jesus Cristo” (v.14). Ou seja, precisamos buscar nos unir mais espiritualmente a Cristo, de modo que Ele seja a Luz de sua luz, a Vida de sua vida, a Alegria de sua alegria, e a Força de sua força (Will L. Thompson).
Como nos vestimos pela manhã, também precisamos nos  “revestir” de Jesus ao acordar, e fazer dEle a imagem que transmitimos às pessoas. Assim poderemos cumprir a parte final desse versículo: “... não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências” (v.14b).
Não devemos ficar cultivando em nossa mente as obras das trevas. O fim desta prática sempre é conflito, rivalidade, inveja, enfim... destruição! Para os outros e para você mesmo!
É certo que teremos tentações, pois o pecado continua na nossa carne mesmo quando se tornamos santos (Rm 7.14). Mas, como filhos de Deus, devemos aprender a controlar e vencer as tentações.

CONCLUSÃO
Deus é o Senhor da História, e mesmo os maus líderes que as diversas nações tiveram foram usados pelo Senhor para se atingir algum propósito divino. Assim como Deus usou Nabucodonosor para julgar Judá e depois o puniu por seus pecados (Jr 25.9-14). Portanto, mesmo que não entendamos de imediato, Deus está no pleno controle da história e espera que sua Igreja o honre obedecendo às autoridades constituídas, desde que elas não vão contra a Palavra do Senhor.
Também o amor ao próximo é um tema muito forte nesta epístola, e aqui Paulo o ressalta como a base para se guardar os mandamentos e como a segurança de que estaremos com Cristo quando o grande dia chegar, pois a nossa salvação está agora mais próxima do que antes.
Que Deus te abençoe em nome de Jesus.