terça-feira, 1 de maio de 2012

Série de Estudos em Romanos - 1º estudo.


Capítulo 1 - UMA INTRODUÇÃO

Texto Chave
Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
Romanos 1.16
VERDADE TEOLÓGICA
“O pecado é a força da morte e a morte da força.”
Thomas Adams
ESTUDO DE PREPARAÇÃO SEMANAL
Segunda – Rm 1.1-7     
Paulo servo e apóstolo de Jesus Cristo.
Terça – Gl 1.1-16        
Paulo, apóstolo não por vontade humana, mas pelo chamado de Jesus.   
Quarta – Rm 1.8-17
O evangelho é o poder de Deus.   
Quinta – At 9.1-9
O encontro com o poder de Deus para a salvação.
Sexta – Rm 1.18-32
O problema daqueles que não encontraram o poder de Deus para salvação.
Sábado – Ef 2.8-10
Ninguém pode ser salvo pelos seus méritos pessoais.

Leitura Bíblica Congregacional
Romanos 1:8-17
8 - Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.
9 - Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,
10 - Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco.
11 - Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados;
12 - Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha.
13 - Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.
14 - Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.
15 - E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.
16 - Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
17 - Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

Elucidação Textual
Nestes versículos de Romanos 1 Paulo declara sua alegria e dá ação de graças pelo poder de Deus para a nossa salvação revelado no evangelho de Jesus Cristo. Paulo é enfático em afirmar que não se envergonha do evangelho porque ele é o poder de Deus e isso era, então, motivo de alegria e de incentivo a uma fé em Jesus, pois o justo vive da fé.       
 
Introdução
Neste trimestre vamos estudar a Epístola aos Romanos, um dos mais apaixonantes livros da Escritura. No entanto, estudar esta carta de Paulo é um desafio para muitos cristãos, pois o apóstolo trata de temas complexos e muito profundos, que deixam alguns leitores completamente perdidos. Porém, quando compreendemos a essência dessa epístola descobrimos e nos deliciamos com um texto muito preciso e profundamente lógico.
Na lição de hoje vamos abordar um pouco do aspecto histórico, propósito e esboço dessa carta tão importante de Paulo e, a partir da próxima lição, vamos explorar o seu conteúdo, ainda que de forma sintética.
Que o Altíssimo Deus te abençoe e te faça crescer em graça e em conhecimento durante esse período.

                  I – CONTEXTO HISTÓRICO.
Paulo escreveu sua carta aos Romanos pouco tempo antes de sua visita a Jerusalém, quando levou as ofertas das congregações gentias para os irmãos carentes da Judéia (Rm 15.25; At 24.17).
Diversos indícios sugerem que durante este tempo Paulo morava em Corinto, na Grécia, onde ficou por um ano e meio (At 18.11). Portanto, Romanos teria sido escrito durante a segunda viagem missionária do apóstolo, que aconteceu entre o fim do ano 55 dC e os primeiros meses de 57 (1Co 1.14; At 19.22; 20.2-3, 2Tm 4.20).
Embora Paulo já tivesse cerca de 20 anos de ministério, visto que sua conversão aconteceu por volta do ano 35 dC, ele e a Igreja de Roma ainda não se conheciam. Por consequência, podemos entender que a carta do apóstolo aos crentes romanos é fruto de sua maturidade doutrinária em Cristo com relação à compreensão do evangelho.
Na Epístola aos Romanos Paulo se propõe a responder perguntas feitas por milhões de pessoas através dos séculos, tais como: Como pode alguém se relacionar com Deus? Minha vida íntegra garante a minha salvação? A religiosidade pode salvar uma boa pessoa? Como alguém pode ter certeza de ir para o céu? Uma pessoa correta, que só faz o bem, vai se salvar? E a pessoa que não conhece a Deus, como fica? E o Índio? E o Judeu? E o Papa? E o Pastor?         Entre tantas religiões, qual delas é a verdadeira?
Diante de tantas perguntas Paulo começa a carta se apresentando aos irmãos, para assim respaldar sua mensagem e, em seguida, passa a mostrar que o gentio é pecador e apresenta as razões para tal afirmação, como veremos nos pontos abaixo.

  II – APRESENTAÇÃO PESSOAL E DO TEMA GERAL DA EPÍSTOLA (vv.1-17).
Logo no v.1 Paulo se apresenta como Servo (escravo) de Cristo Jesus. Termo este que possuía conotações chocantes para a cultura da época. Declarar-se escarvo de alguém em uma cultura escravocrata como a da época era algo que assombrava as pessoas, visto que todos prezam muito pela liberdade e o direito de fazer o que bem entendem. Porém, Paulo quer que todos saibam que a sua vida está voluntária e completamente dedicada ao seu Senhor, para atendê-lo a qualquer hora, em qualquer circunstância.
Contudo, Paulo também tem plena consciência do seu apostolado. Ainda que o termo “apóstolo” se aplique àqueles que estiveram pessoalmente com Jesus, Paulo se considerava apóstolo, e era considerado pelos demais, por ter estado com Ele no caminho de Damasco (At. 9) e ter recebido direto do Senhor muitos dos ensinamentos que transmitiu à Igreja (Gal 1:1 e Gal 1:16).
Paulo dedica cada linha introdutória de sua carta para, com propriedade, se apresentar como apóstolo e expor seu conhecimento daquele de quem é servo, Jesus Cristo. E com base nesse conhecimento de Jesus Paulo continua sua introdução reforçando na mente da Igreja romana o chamado à santidade daqueles que receberam a graça do Pai e a paz advinda da salvação do Filho.
A partir do v.8 até o v.15 o apóstolo demonstra muita humildade ao informar aos irmãos o desejo de estar com eles em Roma para poder lhes comunicar algum dom espiritual para fortalecê-los e se encorajarem na fé e trocar experiências e conforto espiritual recíproco.
Paulo era ousado em relação à sua fé. Ele não se envergonhava do evangelho (v.16) quando se sentia pressionado pelo que cria; ao contrário, considerava uma glória poder sofrer pelo nome de Jesus (2Tm 2.10). Para Paulo “Jesus Cristo é ‘o poder de Deus’, indicando uma vez mais que o evangelho é o próprio Cristo oferecido e recebido pelos crentes” (1Co 1.24)[1] (NT King James - 2007). O Evangelho é o instrumento pelo qual o poder (graça) de Deus se revela para salvação daqueles que creem, através da fé (Ef 2.8) que transforma ímpios em santos reconciliados com Deus (justos).
A justiça de Deus é atribuída àqueles que pela fé aceitam o sacrifício de Jesus e são declarados justos. O termo “justo” significa, na forma forense de pensar do judeu, alguém que está quite perante um juiz hipotético. Alguém cujas relações com Deus estão corretas[2].
Sendo assim, não há motivo para nos envergonhar do evangelho, pois cremos nele por meio da fé no sacrifício de Jesus em nosso favor (fé que o próprio evangelho gerou em nós) e, por isso, fomos declarados por Deus como justos. Louvado seja o Deus Altíssimo.
Você se envergonha de declarar a sua fé? Fica constrangido quando as pessoas descobrem que você é crente? Ou é ousado e confiante em declarar a certeza da sua fé?

III – O PROBLEMA DA HUMANIDADE: O PECADO (vv. 18-32).
Paulo começa a descrever o pecado, em suas várias facetas, como a razão pela qual a ira de Deus se derrama sobre a humanidade.
O homem dominado pelo pecado detém a verdade pela injustiça (          v.18), desconsidera os atributos de Deus (vv.19,20), abandona a Deus (vv.21,22), idolatra a criatura  (vv.23-25), busca o prazer na imoralidade (vv.26-27) e vive em um estado de depravação total (v     v.28-32).
Paulo deixa evidente que o homem procura primeiro “sufocar a verdade gritante de Deus, (...) como se procurasse colocar uma tampa para que a verdade não aflore, não venha à tona (v18)” (Veloso). O termo “impiedade” (gr. asébeia) se refere ao pecado contra o ser de Deus, vivendo como se Ele não existisse. Já o termo “injustiça” (gr. adikia), também traduzido por perversão, se refere ao pecado praticado contra o ser humano[3].
Essas pessoas podem até afirmar que creem em Deus, mas vivem como se Ele não existisse e não se importam com o padrão divino de conduta exposto na Escritura. Vivem de acordo com “o seu padrão”.
Vivendo conforme o seu padrão o homem despreza os atributos de Deus (vv.19,20).
Primeiro despreza-se o seu eterno poder manifesto na criação. Assim como ao entrarmos na casa ou escritório de alguém conseguimos constatar algumas coisas sobre tal pessoa pelas evidências que estão à vista. Também nenhum ser humano terá dificuldade de enxergar a grandeza de Deus por meio da criação.
Citando Ronald C. Prater, Ary Veloso fala dos quatro elementos básicos que formam a “matéria”: terra, vento, fogo e água. Esses elementos podem ser conhecidos por nós mediante os cinco sentidos. Tais elementos manifestam o poder de Deus. Enquanto estão calmos não ocupam muito do nosso pensamento, mas você sabe o que acontece quando o vento manifesta-se de forma violenta. Furacões, telhados arrancados, casas derrubadas, pessoas mortas. E quando a terra age da mesma forma? Terremotos, deslizamentos de encostas, etc. E a água? Maremotos, enchentes, alagamentos. E o fogo? Vulcões em erupção, queimadas enormes, etc.
O poder desses 4 elementos fundamentais da natureza devem nos levar à conclusão de que o Deus que as criou, com certeza, é muito poderoso”
Ainda há o elemento da natureza divina em nós, que é percebido através da consciência (espírito) que recebemos. “É através de nossa consciência que podemos perceber a ‘natureza divina’ no ser humano, que leva consigo a imagem de Deus. É ela que nos mostra que chutar uma mulher grávida, ou espancar uma criança, é errado. É esta fagulha de Deus em nós que nos leva a ter a percepção do “certo” e “errado”, portanto todo homem e mulher têm conhecimento de Deus” (Veloso).

Conclusão
Romanos é uma epístola forte desde o seu primeiro capítulo. Paulo começa a carta de forma gentil e calorosa, mas passa a um assunto forte e importante logo após a sua apresentação: a pecaminosidade humana. O santo homem de Deus mostra o quanto a justiça de Deus se revela por meio do evangelho para a salvação dos que creem, tanto do judeu quanto do gentio. Porém, passa a descrever as características da humanidade sem o evangelho e deixa claro a malignidade humana entregue aos seus desejos pecaminosos.
A pergunta crucial a ser feita é: a qual dos grupos você pertence? Dos creem no evangelho e vivem conforme a vontade de Deus ou dos ímpios, que não ainda que digam que creem em Deus preferem viver com base na sua vontade humana, corrompida pelo pecado e entregue às suas paixões? O entendimento e reconhecimento sincero da sua situação podem determinar sua salvação ou condenação.
Deus te abençoe.


[1] NT King James, SBIA & Abba Press
[2] http://www.monergismo.com/textos/comentarios/romanos_amorese.htm
[3] http://www.ibmorumbi.org.br



fontes Bibliográficas
Ed. Palavra. (2011). Bíblia de Estudo para Pequenos Grupos . Brasília: Palavra.
NT King James - Sociedade Bíblica Ibero-Americana e Abba Press. (2007). Novo Testamento King James. São Caetano do Sul, SP, Brasil: SRG Publicações.
SBB, Plenitude -. (2005). Bíblia de Estudo Plenitude. (J. W. Hayford, Ed.) Barueri - SP: SBB.

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