terça-feira, 24 de abril de 2012

Antropologia teológica


A criação humana
A Bíblia ensina que Deus criou cada coisa ou ser que existe ou existiu. Essa criação especial deixa claro que Deus fez cada criatura de acordo com a sua espécie (Gn 1.24).
Porém, quanto ao homem, a Escritura é clara em ensinar que ele é distinto de todas as demais criaturas por ter sido feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.27).
A teoria da evolução (que muitos tentam nos fazer acreditar que ela é uma lei e não mera teoria especulativa) propõe que as criaturas não foram criadas de forma especial e única, mas que evoluíram a partir de formas de vida inferiores. Como por exemplo, o macaco evoluiu e virou homem.
O naturalismo evolucionista parece confundir variedade de espécies com evolução das espécies, que acabam por formar uma nova espécie.
Para compreender isso é importante dizer que espécie se refere a uma classe de animais ou plantas que se caracterizam por determinadas características e propriedades que lhes são comuns. Essas espécies podem possuir variedades, ou seja, características particulares acentuadas que não são comuns a toda espécie. Por exemplo: um tipo especial de cachorro pode ser produzido por um processo específico, mas será sempre um cachorro. E quando essa variedade de cachorro se perpetua então é gerada uma raça. Assim concluímos que dentro das espécies podem existir uma série de raças, mas elas possuirão características que sempre as identificarão com a sua espécie. Humanos podem ser Judeus, Árabes, Negros, Brancos, Vermelhos ou Amarelos, mas sempre serão seres-humanos. Cães podem ser Labradores, Pequineses, Buldogs, ou qualquer outra raça, mas sempre serão cães. E não há nada que prove que poderão evoluir a ponto de se tornarem outra espécie.
A NATUREZA DO HOMEM
A Triunidade Humana
O Gênesis 2.7 ensina-nos que Deus quando fez o homem usou como matéria prima o pó da terra, em seguida lhe soprou o espírito (fôlego de vida) e o homem se fez alma vivente.
O homem é composto de espírito, alma e corpo (1Ts 5.23; Hb 4.12). Os dicotomistas e os tricotomistas discutem acerca desse ponto de vista, posto que os primeiros defendem que o ser é composto de duas partes apenas e o segundo grupo que o homem é triuno. Contudo, ambas as posições podem ser compreendidas sem dificuldades. O espírito e a alma constituem os âmbitos não visíveis do ser e representam os dois lados da natureza espiritual. A alma é a parte constituinte de nosso ser que se refere à nossa mente e às nossas emoções, também chamada de coração, sendo o depositório de todo o nosso conhecimento e sentimentos. O espírito é a parte constituinte de nosso ser que nos faz conhecer as realidades espirituais e as comunica à alma. O espírito opera através da nossa consciência. Porém, embora diferentes, espírito e alma são inseparáveis e estão tão interligados que ambos se confundem (Ec 12.7; Ap 6.9), sendo que em um trecho descreve-se a substância espiritual do homem como alma (Mt 10.28) e em outra parte, como espírito (Tg 2.26).
A despeito de os termos serem usados alternadamente, ambos têm significado distintos. A alma se refere ao homem em relação a essa vida. Os falecidos são chamados de almas quando a Escritura se refere a sua vida pregressa (Ap 6.9,10; 20.4). Já o espírito é a descrição comum dos que passaram para a outra vida (At 7.59; 23.9; Hb 12.23; Lc 23.46; 1Pe 3.19).
Já o corpo do homem é chamado na Escritura de habitação terrena ou tabernáculo (2Co 5.1). É a morada da alma durante sua viagem para a eternidade. Com a morte, desarma-se a tenda, e a alma parte (Cf. Is 38.12; 2Pe 1.13,14). Também é o invólucro do espírito (Dn 7.15). O corpo é a bainha da alma. A morte é o desembainhar da espada. Por fim, o corpo é o Templo, consagrado pela presença de Deus – um lugar onde a onipresença de Deus se localiza (1Re 8.27,28). O corpo do Senhor Jesus foi um templo (Jo 2.21), porque Deus estava nele (2Co 5.19). Nosso corpo se torna templo do Espírito Santo quando começamos um relacionamento com Deus (1Co 6.19). Enquanto a filosofia grega desprezava o corpo, tendo-o como uma restrição à alma, a Bíblia apresenta-o como uma obra maravilhosa de Deus e que deve ser consagrado a Ele (Rm 12.1) e para a Sua glória (1Co 6.20).
Embora esse corpo, que hoje temos, seja terreno (1Co 15.47) e tenha se tornado um corpo de humilhação e sujeito a doenças e morte (Fp 3.21; 1Co 15.53). Esperamos o corpo celestial que nos foi prometido (2Co 5.2) que nos será dado quando o Senhor voltar (2Co 5.5; Rm 8.11).
A Imagem de Deus no Homem
Fomos feitos a imagem e semelhança de Deus (Gn 5.1; 9.6; Ec 7.29; At 17.26,28,29; 1Co 11.7; 2Co 3.18; 4.4; Ef 4.24; Cl 1.15; 3.10; Tg 3.19; Is 43.7; Ef 2.10).
A imagem de Deus se constitui por quatro aspectos:
O parentesco com Deus – Depois da queda o homem precisa ser renascido no espírito para ser filho de Deus (Ef 4.24) e se tornar concidadão dos santos e membro da família de Deus (Ef 2.19) do qual todos os fiéis tomam o nome (Ef 3.15).
O caráter moral – A capacidade de reconhecer entre o bem e o mal é uma característica que, de toda a criação, somente o homem possui.
Razão – Nenhuma outra criatura é capaz de refletir sobre si mesmo e sobre a natureza. A capacidade racional humana é fantástica. Nossas invenções, os milhões de livros escritos, todo conhecimento difundido. Nenhuma outra criatura é capaz de tais feitos.
A eternidade – O Senhor colocou a eternidade no coração (alma) do homem (Ec 3.11).
Domínio sobre a terra – Por possuir a imagem de Deus o homem recebeu do Senhor o domínio absoluto sobre a criação, como mordomo do Altíssimo (Gn 1.28; Sl 8.5-8).
O homem é a coroa da criação e a obra prima de Deus e, por isso, tem sobre si uma enorme responsabilidade de dignificar aquele que o criou.