segunda-feira, 10 de novembro de 2008

TEOLOGIA: A MÃE DAS CIÊNCIAS

Desde os primórdios da história humana a busca pelo divino é uma realidade insofismável. E, junto com essa busca surgiram as conjecturas, idéias inatas e empíricas, formulações as mais diversas sobre a divindade e sua atuação na esfera humana. Isto é; juntamente com o homem nasceu a teologia, primeira de todas as ciências.
No decorrer da história vemos a preocupação humana com o entendimento adequado da divindade. Cada povo formulou sua teologia própria, antes de formular qualquer outra ciência, e muito antes do nascimento de qualquer religião de alcance mundial, tais como o judaísmo, budismo, islamismo, espiritismo e cristianismo, os pequenos clãs já possuíam seus deuses e sistemas doutrinários próprios, indicando um senso comum em todos nós: a existência do divino.
Mesmo com o advento da Idade Média e a imposição da igreja estatal sobre o povo, restringindo-lhe o exercício intelectual, muitos eruditos controversos à igreja levantaram suas teses e as defenderam até a morte, em alguns casos. Na Renascença nasceu o ceticismo, lutando contra Deus e querendo expurgá-lo da alma humana, alegando que as “superstições” populares retardavam o avanço da ciência. Entretanto, com isso acabaram por firmar ainda mais esse senso do divino, e várias ciências, se não surgiram, ao menos se desenvolveram plenamente neste período visando defender ou atacar o ensino sobre Deus. Para citar algumas: a crítica textual; a hermenêutica (livre do cabresto clerical), a oratória (desprovida da censura religiosa) livre para expor suas teses com argumento científico, a geografia, botânica, biologia, etc.
Que direi ainda do povo sumero, que existiu há mais ou menos 5000 anos e desenvolveu a matemática, através do cálculo sexagesimal, para organizar o calendário religioso, a arquitetura, também desenvolvida com motivos piedosos através da construção de templos em forma de zigurates (montanhas em degraus), da astronomia que igualmente se desenvolveu por atribuírem aos corpos celestes o status de deuses e deusas, e a escrita cuneiforme onde se descobre o quanto tal cultura era permeada de religiosidade como ponto de partida para a maioria das decisões e empreitadas deste povo.
Apesar de tudo o que foi dito acerca da teologia e de sua posição de destaque nos primórdios da história e no surgimento das demais ciências, hoje ela está relegada ao esquecimento e descrédito em vários círculos acadêmicos, e, em muitos casos, tem sido até mesmo ridicularizada como mera especulação filosófica e não como ciência.
Infelizmente, esse descrédito se dá em grande parte por atitudes provenientes daqueles que “fazem” a teologia; isto é, estudiosos e mestres, e também as muitas faculdades de teologia que não têm feito por merecer tão nobre designação. Também se deve atribuir responsabilidade aos alunos de teologia, que não levam sua faculdade a serio, julgando ser apenas mais um curso, que pouco vale, pois não há o reconhecimento do Ministério da Educação e Cultura com relação a esta disciplina. Entretanto, essa situação não mudará enquanto não houver uma mudança de postura por parte dos maiores interessados: professores e alunos de teologia, que devem enaltecer e lutar por aquilo em que creditam sua confiança, e não ficarem envergonhados ao responderem quando alguém lhes pergunta que faculdade está fazendo, ou dão aula.
Eu e você, estudiosos da teologia, devemos ser os maiores expoentes da disciplina nos nossos dias e marcar a nossa geração (não só a eclesiástica) com a mais pura e nobre das ciências. Inundando as mentes com a essência do conhecimento humano, pois a teologia não se restringe ao ambiente religioso, ela tem jurisdição também na ecologia, biologia, direito, metafísica, lógica, etc.
Cabe a nós mudarmos a mentalidade de nossa geração através do exercício de nosso ofício.
Vamos tocar o mundo através do bendito conhecimento da verdade.

Ioséias C. Teixeira